Uma operação contra a estrutura de comando do PCC no Oeste de Santa Catarina mobilizou forças de segurança para cumprir 16 mandados de prisão preventiva e 29 de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (29). A ação, denominada Tabuleiro, ocorreu em nove municípios catarinenses e em duas cidades do Paraná, com diligências também em unidades prisionais.
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), os resultados preliminares incluem dois autos de prisão em flagrante por crimes relacionados ao tráfico de drogas e à posse irregular de munições. A operação permanece em andamento, e não foi informado quantos mandados de prisão preventiva já foram cumpridos.
Em Santa Catarina, as diligências ocorreram em São Miguel do Oeste, Chapecó, Abelardo Luz, Irani, Xaxim, Zortéa, Concórdia, Joinville e Itajaí. No Paraná, as equipes atuaram em Francisco Beltrão e União da Vitória.
A Operação Tabuleiro foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), em apoio à 39ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital. As ordens foram expedidas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina e buscam identificar envolvidos e desarticular a estrutura de comando da facção na região Oeste.
De acordo com a investigação, integrantes do grupo mantinham atuação na organização mesmo enquanto cumpriam pena, o que motivou parte das medidas dentro de presídios. As apurações apontam uma estrutura hierarquizada, com funções definidas e atuação dentro e fora do sistema prisional, em Santa Catarina e em outros estados, ligada ao tráfico de drogas e a outros delitos.
A ação é um desdobramento das investigações iniciadas na Operação Maserati, em 2020, e aprofundadas pela Operação Coluna Sul. As etapas anteriores resultaram na condenação de integrantes da facção. Alguns deles voltaram a ser investigados por suspeita de manter vínculos com a organização criminosa.
Deflagrada em julho deste ano, a Coluna Sul teve 132 mandados de busca e apreensão cumpridos e 147 prisões em seis estados. Segundo o MPSC, foi a maior ofensiva já realizada pelo Gaeco em Santa Catarina. Os elementos reunidos naquela operação permitiram identificar novos integrantes e ampliar o mapeamento do grupo, principalmente no Oeste e no Extremo Oeste catarinense.
Para a ação desta quinta-feira, a Polícia Penal mobilizou 118 agentes, com participação do setor de inteligência, do Grupo Tático de Intervenção (GTI), do Núcleo de Operações Táticas (NOT), da Diretoria de Busca e Captura (RECAP) e da Divisão de Operações com Cães (DOC).
A Polícia Militar participou com 18 policiais e apoio do Canil. A Polícia Civil empregou equipes da Delegacia de Polícia da Fronteira (DIFRON) e das Delegacias Regionais de Campos Novos e Joaçaba, além do suporte aéreo do Serviço Aeropolicial (SAER).
Os materiais apreendidos serão periciados para auxiliar no aprofundamento das investigações, que seguem sob sigilo.
O nome Tabuleiro faz referência a uma expressão encontrada em registros internos da facção. Segundo as apurações, o termo “Tabuleiro dos Estados” era usado para organizar e controlar integrantes, funções e áreas de atuação, além de definir a distribuição e o remanejamento de membros entre estados.
A 39ª Promotoria de Justiça da Capital tem atuação em todo o território catarinense e é responsável por investigar e processar crimes relacionados a organizações criminosas perante a Vara Estadual de Organizações Criminosas. A estrutura conta com cinco promotores de Justiça.
Conduzido pelo MPSC, o Gaeco é uma força-tarefa composta pelas polícias Militar, Civil e Penal, pela Receita Estadual e pelo Corpo de Bombeiros Militar. O grupo atua na identificação, prevenção e repressão às organizações criminosas.
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