O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma carta nesta quarta-feira (28), dos Estados Unidos, em que se apresenta como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. O texto é dirigido “ao povo brasileiro e à comunidade internacional” e saiu no mesmo dia em que o senador desembarcou em Miami com a mulher e as duas filhas.
Na carta, Flávio diz que viu “uma fraude eleitoral se concretizar” na noite do segundo turno, domingo (25), agradece aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, e afirma que vai liderar a oposição de fora do país. “Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreveu.
“Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar”, afirma o senador, que diz ter levado a família para os Estados Unidos “diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil”.




A prorrogação da votação
Flávio aponta a “atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula”, sem citar o nome. É o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que defendeu Lula antes de chegar à Corte e que, no domingo, prorrogou a votação até as 19h a pedido da campanha do petista, que alegou falta de ônibus em grandes cidades. Depois da decisão, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a paralisar a totalização dos votos.
Segundo Flávio, a decisão “do STF, tomada por cima da competência do TSE”, chegou “quando as urnas já estavam encerradas”, e “eleitores ficaram submetidos a regras diferentes”. Pelo resultado oficial do TSE, Lula teve 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio.
A carta também defende a cassação da chapa Lula-Alckmin por “abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição” durante a campanha.
Passaportes e PF
Sem citar nomes, Flávio critica o juiz que mandou recolher os passaportes dele e diz que o magistrado é “completamente suspeito” para agir contra ele. A decisão foi do ministro Alexandre de Moraes, do STF, na noite de domingo, a pedido da Polícia Federal (PF). Moraes cancelou os passaportes brasileiros do senador, inclusive o diplomático, e proibiu que ele deixasse o Brasil. Flávio também tem cidadania italiana.
“Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime”, diz a carta. A PF confirmou nesta quarta que o senador não é considerado foragido nem é alvo de mandado de prisão. Flávio é investigado num inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro relatado por Moraes e nega irregularidades.
No texto, o senador lista o que chama de “roteiro da perseguição”: “apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política”. E completa: “Não vou submeter minha família a isso”.
Rui Barbosa e De Gaulle
Flávio se compara a nomes que enfrentaram governos de fora do próprio país ou sob perseguição: Rui Barbosa, que foi para o exílio no governo de Floriano Peixoto, o francês Charles de Gaulle, que comandou a França Livre a partir de Londres, o cubano José Martí e os venezuelanos Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado. “Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.”
Aos senadores, deputados e governadores que ajudou a eleger, e em especial ao senador Rogério Marinho (PL-RN), candidato dele à presidência do Senado, Flávio diz que vai comandar a oposição dos Estados Unidos: “Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”. Ele promete falar “regularmente” nos próximos dias e apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição “por todos os meios pacíficos e legítimos”.
A viagem
Flávio desceu do jatinho às 10h31 desta quarta no aeroporto executivo de Opa-Locka, em Miami. Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, a família cruzou a ponte entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú às 22h50 de terça-feira (27), com documentação válida, e seguiu num voo particular para Guayaquil, no Equador, antes de chegar à Flórida.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou na terça que daria vistos ao senador e à família, e o presidente Donald Trump disse nesta quarta que aprova a ida dele ao país.
O mandato de Flávio no Senado vai até o fim de janeiro. A carta termina assim: “Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre”.
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