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Eleições 2026

PGC manda votar em Lula e promete “cobrança severa” a quem apoiar Bolsonaro em comunidades de SC

Mensagens circulam em grupos internos da facção depois do 1º turno e são monitoradas pela inteligência das polícias; Flávio venceu na Grande Florianópolis e em áreas onde o PGC atua

EXCLUSIVO: PGC manda votar em Lula e promete “cobrança severa” a quem apoiar Bolsonaro em SC
Foto: Reprodução
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Mensagens atribuídas ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC), a maior facção criminosa de Santa Catarina, circulam em grupos internos da organização com uma ordem para moradores de comunidades: votar em Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, e não apoiar Flávio Bolsonaro (PL). Um dos textos ameaça com “cobrança severa” quem votar no adversário do presidente.

Oficialmente, nenhuma autoridade se manifestou sobre o caso. O Jornal Razão confirmou com fontes ligadas às polícias locais e estaduais que as mensagens estão sendo monitoradas pela inteligência das forças de segurança de Santa Catarina. A ordem é acompanhar a circulação dos textos para garantir que nenhum eleitor seja coagido.

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O que dizem as mensagens

Um dos comunicados, assinado como “Comunicado do PGC Estadual”, pede que os moradores de bairro “não votem no filho do ditador do Bolsonaro” e que “transmita o salve para todas as quebradas”, para levar a orientação ao “maior número de moradores”. O texto diz que a facção não levanta bandeira de governo “de esquerda” nem “de direita”, mas afirma que, nas mãos da família Bolsonaro, as periferias vão “perder recursos”.

O segundo texto é mais direto. Pede que integrantes procurem familiares e conhecidos “que vota dia 25” para que votem “no partido PT 13” e termina com a ameaça, na grafia original: “Se chegar em nosso conhecimento que votaram no bolsonaro ou se sabermos que estão apoiando este outro partido (…) Estará sujeito a cobrança sevéra aos envolvidos”.

O Jornal Razão não publica as imagens originais das mensagens para proteger as fontes. O vídeo desta reportagem traz uma reprodução do texto, com a grafia original. Não há nenhum indício de participação da campanha de Lula ou do PT nas mensagens.

Lula na frente em algumas comunidades, Flávio em outras

O Jornal Razão somou os 2.172 boletins de urna de Florianópolis, São José e Palhoça publicados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e separou o resultado do primeiro turno para presidente por local de votação. A soma bate com a totalização oficial.

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Em comunidades da Capital, Lula ficou na frente. No local de votação do Morro da Caixa, no Centro de Florianópolis, o presidente teve 74,9% dos votos válidos, contra 20,3% de Flávio Bolsonaro. No Monte Cristo, região onde fica a comunidade Chico Mendes e onde a Polícia Militar já apontou pontos de venda de drogas do PGC, Lula teve 54,1%. Na cidade inteira, Flávio venceu, com 48,6% contra 40,8%.

Em outras áreas onde a facção atua, o resultado foi o inverso. No Caminho Novo, em Palhoça, onde fica a região do Macacari, apontada pela investigação da Polícia Civil como área dominada pelo PGC, Flávio teve 57%. Na Bela Vista, em São José, citada como “quebrada influente” nos documentos internos da facção revelados pelo JR em 2025, foram 59%. Na Costeira do Pirajubaé, em Florianópolis, 52,5%.

LocalLulaFlávio
Morro da Caixa, Florianópolis (1 local de votação)74,9%20,3%
Monte Cristo, Florianópolis (1 local)54,1%37,1%
Caminho Novo, Palhoça (2 locais)33,2%57,0%
Bela Vista, São José (2 locais)31,4%59,0%
Costeira do Pirajubaé, Florianópolis (4 locais)38,0%52,5%
Florianópolis (total)40,8%48,6%
Votos válidos para presidente no 1º turno. Fonte: boletins de urna (TSE), somados pelo Jornal Razão

Foi depois desses resultados que os comunicados passaram a circular. Segundo fontes ouvidas pelo Jornal Razão, o resultado nas comunidades também está no escopo das investigações, que ainda são preliminares.

O que diz a lei

Usar violência ou grave ameaça para obrigar alguém a votar ou não votar em um candidato é crime previsto no artigo 301 do Código Eleitoral, com pena de até quatro anos de reclusão, mesmo que o objetivo não seja alcançado.

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Em março, o TSE manteve a cassação do prefeito e do vice de Santa Quitéria, no Ceará, por coação de eleitores feita por facção criminosa, que o tribunal tratou como abuso de poder político e econômico. Em Santa Catarina, o Ministério Público investiga desde julho, na Operação Catilina, a suspeita de que uma facção coagia moradores de Itapoá a apoiar candidatos.

Quem for ameaçado pode denunciar à Polícia Militar, pelo 190, ou à Justiça Eleitoral, pelo aplicativo Pardal. O voto é secreto.

Quem é o PGC

O Primeiro Grupo Catarinense nasceu em 2003 no sistema prisional e tem no complexo de São Pedro de Alcântara a sua “Torre”, o centro de comando. A facção tem estatuto, “ministérios” que formam a cúpula e “disciplinas” que fiscalizam e punem integrantes. É aliada do Comando Vermelho e rival do PCC.

Em setembro, a Polícia Penal barrou uma carga de celulares que seria levada para dentro do complexo e fez uma varredura com mais de 100 policiais penais no berço da facção.

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As imagens que acompanham esta reportagem são de maio de 2025, quando o Jornal Razão revelou um racha na cúpula do PGC, com documentos internos em que dois grupos se acusavam de traição. A disputa terminou em morte dentro da própria facção. No vídeo, homens encapuzados posam com fuzis, coletes balísticos e munição espalhada pelo chão.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/seguranca/pgc-manda-votar-lula-cobranca-severa-bolsonaro-sc

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