Três homens encapuzados e armados invadiram a casa de Paulo Roberto Correa, de 49 anos, na noite de 24 de maio, na Rua Engídia Dovina Martins, bairro Caminho Novo, em Palhoça, na Grande Florianópolis. Disseram ser policiais, renderam o morador na frente da família, o chamaram de “informante” e efetuaram diversos disparos de arma de fogo. Ele morreu ali mesmo, no interior da própria residência, diante dos parentes. Eram 22h12. Cento e dois dias depois, a Polícia Civil chegou aos apontados como executores.
A operação foi deflagrada nesta quinta-feira (3) pela Delegacia de Homicídios de Palhoça, do Departamento de Investigação Criminal, com o cumprimento de dois mandados de prisão temporária e dois mandados de busca e apreensão. As ações se concentraram no Centro da cidade e no próprio bairro Caminho Novo.
O apontado como principal executor do homicídio foi localizado escondido em uma residência no Centro de Palhoça. Segundo a investigação, ele é o gestor do ponto de tráfico da região conhecida como Macacari, dentro do Caminho Novo, área dominada pela facção Primeiro Grupo Catarinense (PGC).
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Durante as buscas no endereço em que ele estava, os policiais encontraram uma porção de haxixe, uma balança de precisão, certa quantia em dinheiro e um carregador de arma de fogo municiado com cartuchos de calibre 9x19mm, de uso restrito. O material rendeu ao investigado um auto de prisão em flagrante por tráfico de drogas e posse ilegal de munição, que se soma à prisão temporária pelo assassinato.
O segundo mandado foi cumprido contra outro envolvido no homicídio que já estava recolhido no sistema prisional. Ele havia sido preso por extorsão mediante sequestro e tentativa de roubo a uma instituição bancária, crimes ocorridos em 9 de junho de 2026, no município de Rio do Oeste, no Alto Vale do Itajaí.
O que levou à execução
A sentença contra Paulo Roberto foi decidida por uma cena banal, ocorrida poucos dias antes. Um traficante ligado ao PGC fugiu de uma abordagem da Polícia Militar e correu para dentro da casa dele. Os policiais entraram atrás e perguntaram à esposa do morador se alguém havia acabado de entrar ali. Ela apontou o esconderijo.
Segundo relato de quem acompanhou a abordagem, Paulo Roberto apareceu na porta e falou uma única vez com os policiais:
Não é pra vocês ficar entrando na minha casa não. Sou trabalhador, não tenho nada a ver com isso, pode levar ele daqui.
Foi só isso. O traficante foi preso em flagrante dentro da residência e, a partir dali, integrantes da facção presumiram, de forma equivocada, que o dono da casa havia entregado o comparsa à polícia. Não houve prova, não houve apuração, não houve nada além da suposição. A resposta veio em forma de execução.
Paulo Roberto era natural do Paraná e morava no Caminho Novo. Não tinha ligação apurada com o tráfico da região. Foi morto por uma acusação que os próprios criminosos inventaram e julgaram sozinhos.
Na noite do crime, os três chegaram com o rosto coberto e se identificaram como policiais justamente para conseguir entrar e dominar a casa sem resistência. Só então começaram a atirar. Nenhum foi localizado naquela noite. O 16º Batalhão da Polícia Militar atendeu a ocorrência e encontrou a vítima já sem vida.
Para a polícia, o homicídio foi represália e, ao mesmo tempo, recado. Matar alguém acusado de ser informante dentro de casa, na frente da família e em um bairro que fica sabendo em minutos, cumpre a função de impor temor à comunidade e desestimular qualquer morador a procurar a polícia. É a lógica do tribunal paralelo montado pelo tráfico, em que a acusação, o julgamento e a pena saem do mesmo grupo.
O terceiro integrante do grupo que invadiu a residência ainda não foi identificado publicamente. As investigações da Delegacia de Homicídios de Palhoça prosseguem para o completo esclarecimento dos fatos e a identificação de eventuais outros envolvidos, incluindo quem determinou a execução.
Um dos investigados segue preso em flagrante por tráfico e posse ilegal de munição, além da prisão temporária pelo homicídio. O outro permanece no sistema prisional. A Polícia Civil informa que denúncias podem ser encaminhadas de forma anônima e sigilosa pelo Disque Denúncia 181.















