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EXCLUSIVO: Operação impede entrega milionária de celulares para líderes da maior facção de SC

Inteligência da Polícia Penal barrou cerca de 24 aparelhos, chips, carregadores e porções de fumo e maconha que entrariam pelo Complexo Penitenciário do Estado, em São Pedro de Alcântara. Investigação apura pessoa ligada a empresa prestadora de serviços.

EXCLUSIVO: Operação impede entrega milionária de celulares para líderes da maior facção de SC
Foto: Reprodução
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A inteligência da Polícia Penal de Santa Catarina impediu nesta quinta-feira (10) a entrega de uma carga de celulares e drogas a lideranças do PGC, maior facção criminosa do estado, dentro do Complexo Penitenciário do Estado, em São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis. O material entraria por uma das oficinas de trabalho da unidade. Somados, os aparelhos representam um prejuízo de quase R$ 1 milhão à organização criminosa.

A apreensão não foi obra do acaso. Segundo a Polícia Penal, a Inteligência já monitorava informações sobre o possível envolvimento de uma pessoa vinculada a uma empresa prestadora de serviços na entrada irregular de materiais no complexo. A partir do que foi levantado no acompanhamento, as equipes operacionais montaram a abordagem e a fiscalização dentro da unidade, e a carga foi barrada antes de ser distribuída no ambiente prisional.

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Eram cerca de 24 telefones celulares. A carga mistura perfis bem diferentes de aparelho, e isso não é acaso. Ao lado de smartphones recentes, com câmera tripla e carcaça colorida, aparecem modelos de tela pequena e botão físico, dos que cabem na palma da mão e passam com mais facilidade por uma revista. Um iPhone branco estava na mesma fileira que quatro Samsung dourados da linha J, populares há quase dez anos.

Material interceptado pela Polícia Penal no Complexo Penitenciário do Estado, em São Pedro de Alcântara. Foto e vídeo: Jornal Razão

Junto dos telefones vinha tudo o que os mantém em operação atrás das grades. Cerca de 25 carregadores de tomada, brancos e pretos, boa parte ainda lacrada. Dois molhos grandes de cabos USB e fones de ouvido, misturados a placas eletrônicas soltas, sinal de que carregadores seriam abertos e adaptados. E embalagens de chip de operadora com recarga inclusa, o item que dá linha e número a cada aparelho.

O material de apoio explica a logística da entrega. Cinco frascos de cola instantânea, cinco caixas de massa epóxi e lâminas de serra faziam parte da mesma carga. Cola e massa epóxi servem para lacrar esconderijos abertos em paredes, móveis, equipamentos e peças de oficina, deixando o vão invisível depois que o telefone está guardado.

O maior volume, porém, era droga e fumo. Cerca de 50 porções prensadas e embaladas em plástico filme foram organizadas em fileiras junto ao restante do material. O fumo é uma das moedas de troca mais valorizadas do sistema prisional catarinense e circula como forma de pagamento entre os presos.

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O destino da carga eram integrantes da facção que cumprem pena isolados na unidade. São Pedro de Alcântara é o maior complexo penitenciário de Santa Catarina e é conhecido no meio policial como a torre do PGC, o endereço onde estão nomes de peso da organização. É de dentro de unidades assim que saem as ordens de ataque, de cobrança e de tráfico para as ruas catarinenses.

“As nossas unidades são monitoradas constantemente pelos serviços de inteligência da Polícia Penal. Essa apreensão demonstra que esse trabalho é eficiente e que a atuação da inteligência tem produzido resultados concretos na prevenção e no combate à entrada de materiais ilícitos no sistema prisional e combate as organizações criminosas”, destacou Danielle Amorim Silva, Secretária de Estado de Justiça e Reintegração Social de Santa Catarina.

O valor atribuído à carga não vem do preço de balcão dos aparelhos. Vem do que um celular vale dentro da cadeia, entre R$ 30 mil e R$ 60 mil por unidade no mercado interno. Multiplicado pelos 24 telefones interceptados, o número se aproxima de R$ 1 milhão em prejuízo direto à facção.

A escolha da oficina como rota também não é aleatória. Todos os dias, cerca de 500 presos da unidade assumem um posto de trabalho em uma das cinco empresas instaladas dentro do complexo, que somam sete convênios com o Estado. Isso significa fluxo diário de insumos, peças, embalagens e cargas atravessando o muro, e é exatamente essa movimentação que a facção tenta usar como porta de entrada.

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O trabalho prisional é apontado pelo governo como um dos pilares da política do setor. Em 2024, o Estado arrecadou R$ 28 milhões com o trabalho de presos em Santa Catarina. Quem ocupa uma vaga recebe um salário mínimo, do qual 25% voltam ao Estado como ressarcimento pela custódia, 50% podem ir para a família e 25% ficam em poupança liberada só na soltura. Para manter o posto, o preso precisa de histórico disciplinar limpo.

A entrada de aparelho em presídio é crime desde 2012, previsto no artigo 349-A do Código Penal, com pena de detenção de três meses a um ano. A pena curta ajuda a explicar a insistência do esquema: o risco de quem transporta é baixo e o valor pago pelo serviço é alto.

O bloqueio de sinal segue sendo o ponto fraco do sistema em todo o país. O Supremo Tribunal Federal derrubou a lei catarinense que transferia às operadoras de telefonia a obrigação de instalar bloqueadores nas proximidades das unidades, por entender que legislar sobre telecomunicações é competência exclusiva da União, e a conta voltou para o Estado. Na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 4389/24, que torna a instalação obrigatória em todos os presídios do Brasil em até 180 dias, avançou na Comissão de Segurança Pública e ainda tramita.

Todo o material apreendido foi recolhido e passará pelos procedimentos de identificação e perícia. As circunstâncias do caso, incluindo a participação e as responsabilidades das pessoas envolvidas, serão apuradas, e as informações vão ser encaminhadas às autoridades competentes para as providências legais.

Enquanto o bloqueio não chega, a barreira é a que funcionou nesta quinta-feira: inteligência, varredura e revista item por item antes de a carga cruzar o portão da oficina. Cada aparelho retido é uma ordem que não sai de dentro do presídio.

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