Uma investigação sobre suspeitas de fraudes em contratos e desvio de recursos de uma instituição hospitalar filantrópica levou ao cumprimento de dois mandados de busca e apreensão em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, na manhã desta quarta-feira (7).
As buscas foram realizadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), em apoio à Operação Ouro de Tolo, deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).
A apuração envolve possíveis irregularidades na gestão contratual e financeira do hospital, como direcionamento de contratos, pagamentos sem comprovação dos serviços prestados, conflitos de interesse, ocultação de documentos e eventual desvio de recursos destinados à atividade hospitalar.
Segundo o Ministério Público, os fatos teriam ocorrido durante um período de grave crise administrativa, financeira e assistencial da instituição. O nome do hospital não foi informado.
A investigação está dividida em três frentes. Uma delas analisa contratos com empresas de consultoria e assessoria que receberam mais de R$ 2 milhões entre 2023 e 2024. Os investigadores buscam esclarecer se havia necessidade das contratações, se os serviços se sobrepunham aos de outros prestadores e se as atividades previstas foram executadas.
Outra frente apura possíveis favorecimentos nas contratações e conflitos de interesse envolvendo pessoas ligadas à gestão da entidade e empresas que mantinham relações comerciais com o hospital. Também são investigados indícios de ocultação ou desaparecimento de documentos relacionados à administração financeira.
O terceiro eixo trata da contratação de uma empresa de serviços médicos terceirizados. A apuração busca verificar se os atendimentos contratados foram realizados e se os pagamentos eram compatíveis com os serviços executados. As circunstâncias da contratação e da posterior rescisão dos contratos também são analisadas.
Os materiais apreendidos passarão por análise técnica e poderão fundamentar novas diligências. A investigação tramita sob sigilo, e outras informações poderão ser divulgadas após a publicidade dos autos, conforme os limites legais e o andamento da apuração.
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