As imagens da câmera de segurança do restaurante mostram a sequência inteira em poucos segundos. A mulher aparece correndo pelo corredor entre as mesas, procurando uma porta que a salvasse. Atrás dela, o ex-companheiro com uma faca na mão. Em outro trecho, o homem aparece já dominado, contido por quem estava por perto até a chegada da Polícia Militar.
O ataque aconteceu na manhã desta quarta-feira (12), no Café da Praça, na Avenida Nereu Ramos, no centro de Penha, no Litoral Norte de Santa Catarina, ao lado da Igreja Matriz. O que impediu que a manhã terminasse em mais um feminicídio não foi a polícia, que ainda estava a caminho. Foram três pessoas comuns que estavam ali por acaso: duas colegas de trabalho da vítima e um morador em situação de rua conhecido na cidade como Papai Noel.
A mulher tinha acabado de chegar ao trabalho e limpava o salão quando o homem entrou pela porta armado. A separação do casal tinha menos de um mês.
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A corrida até o banheiro
Segundo o registro policial, uma colega viu o autor entrar no estabelecimento com a faca em punho e gritou para avisar a vítima. Foram esses segundos que permitiram que ela corresse e se trancasse no banheiro, o trecho que aparece nas imagens de segurança.
Ele desferiu diversos chutes contra a porta até arrombá-la. Já dentro do banheiro, atingiu a mulher com facadas, uma delas na região das costas. Populares que estavam na praça relatam que a lâmina entrou cerca de sete centímetros.
Duas colegas e um morador de rua
Foi aí que veio a primeira barreira humana. Uma das colegas entrou no banheiro, no mesmo espaço em que o homem armado golpeava a vítima. A segunda chegou logo atrás, agarrou o braço do agressor, puxou ele para fora e gritou por socorro.
Os gritos atravessaram a porta do restaurante e chegaram à avenida. Foi então que entrou o morador em situação de rua, ex-bombeiro voluntário, figura conhecida no centro de Penha pelo apelido de Papai Noel. Ele mandou o homem soltar a faca, tomou a arma e o imobilizou pelo pescoço.
A mulher estava desesperada gritando. Entrei até despercebido, tinha um rapaz segurando ele, e eu falei: “dá essa faca”. Grudei pelo pescoço e contive ele até a polícia chegar.
Outros homens que passavam pela avenida entraram em seguida e ajudaram a manter o agressor contido até a chegada da guarnição. Durante a contenção, segundo o morador, o homem continuava dizendo o que pretendia.
Ele falou que queria matar ela, que tomara que ela morresse. Eu falei: ela não vai morrer.
O aviso antes do crime
Outra testemunha ouvida pela Polícia Militar contou ter conversado com o autor minutos antes do ataque. O homem se aproximou dela em frente ao banco, desabafou que teria sido traído pela companheira e disse, com todas as letras, que iria até o local de trabalho dela para tirar sua vida. Pouco depois, a testemunha o viu pegar a bicicleta e seguir na direção do restaurante. Ao ouvir os gritos, correu também para ajudar na contenção.
Socorro e transferência
A ocorrência mobilizou o município. O SAMU chegou primeiro e iniciou o atendimento ainda no local, com apoio dos Bombeiros Voluntários de Penha, dos agentes de trânsito e da Polícia Militar. A vítima foi levada ao Pronto Atendimento da cidade.
No hospital, o médico plantonista informou à polícia que as facadas atingiram o pulmão e provocaram um quadro de pneumotórax. Pelo estado clínico, a transferência foi urgente: a mulher seguiu para o Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, onde permanece internada.
Preso em flagrante
O autor foi identificado como Aldevan de Lima Silva, natural da Paraíba. À guarnição da Polícia Militar, ele confessou que foi ao restaurante para tirar a vida da ex-companheira, motivado por uma suposta traição. Preso em flagrante, foi conduzido sem lesões aparentes à Delegacia de Polícia Civil de Itajaí, junto com as testemunhas, e depois encaminhado ao Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí, onde permanece à disposição da Justiça.
A faca usada no ataque ficou no local e foi preservada. A área foi isolada e a Polícia Científica acionada para os trabalhos periciais. A investigação segue na Delegacia de Polícia Civil de Itajaí.
Entenda o caso
O Jornal Razão mostrou mais cedo os detalhes da tentativa de feminicídio no centro de Penha e o relato do morador em situação de rua que imobilizou o agressor. Leia: Morador de rua impede feminicídio e salva mulher atacada pelo ex no Litoral Catarinense.


































