A família de Leonardo da Costa Masoti, de 43 anos, morto com duas facadas na madrugada deste domingo (30) no bairro Garcia, em Blumenau, procurou a redação do Jornal Razão para contestar a versão apresentada pelo autor confesso do crime à Polícia Militar. Segundo uma prima da vítima, Leonardo não chegou a disparar contra a casa do vizinho antes de ser atacado.
No registro policial, Alessandro dos Santos Oliveira, de 35 anos, natural de Ferreira Gomes, no Amapá, confessou as facadas ainda no local e afirmou que tudo começou com uma discussão. De acordo com o relato dele aos policiais, Leonardo teria pegado uma pistola de airsoft, efetuado disparos na direção da casa dele e o chamado para a rua com a frase “vem aqui se você é homem”. Depois disso, Alessandro pegou uma faca dentro de casa, desceu até a residência do vizinho e desferiu os golpes.
A prima de Leonardo contesta esse ponto. “Ele não deu tiro nenhum”, afirmou à reportagem. Segundo ela, a pistola de pressão pertencia à vítima e era usada para espantar animais que ameaçavam uma criação de galos mantida no terreno. Ela diz ainda que, na noite do crime, a arma não estava carregada, e sustenta que a versão dos disparos foi usada pelo autor “pra se safar”.
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Na versão da família, não houve confronto na rua: Alessandro teria entrado no terreno da vítima com a intenção de matar. “Ele invadiu o terreno e acertou duas facadas no meu primo”, disse a familiar, que afirma que um dos golpes foi desferido quando Leonardo já estava caído e desacordado.
O registro da Polícia Militar aponta que a vítima foi atingida por dois golpes de faca, um na região da cabeça e outro no coração, e que a morte foi constatada no local pela equipe do SAMU. A faca usada no crime foi jogada em cima de um telhado, segundo o próprio autor, e não foi localizada pelas guarnições. A pistola de pressão citada por Alessandro foi encontrada ao lado do corpo, entre um monte de areia e o muro.
As câmeras de segurança da propriedade registraram a ação. As imagens têm marcação de horário de 1h01 da madrugada de domingo e, segundo a família, todo o material já está em poder da polícia.
Em uma das gravações a que a reportagem teve acesso, o autor aparece gritando na rua logo depois do ataque, em tom de deboche. Nas falas registradas pelo áudio, ele diz: “eu não tenho medo de ninguém, pau no c* do car*lho”, “se f*deu, filho da p*ta” e “já era, esse vagabundo do car*lho”.
O comportamento é compatível com o que a irmã de Leonardo relatou à Polícia Militar na madrugada. Ela contou que dormia, acordou com a gritaria na rua e viu o autor gritando “agora deu, agora deu, acabou isso aqui”. Ao descer as escadas, encontrou o irmão agonizando com um ferimento no peito. A companheira da vítima disse que estava dentro de casa, jogando no celular, quando ouviu o barulho e saiu para encontrar Leonardo já caído.
A familiar que procurou o Jornal Razão afirma que a primeira reportagem sobre o caso, baseada no registro policial, não reflete o que a família entende ter acontecido, e pediu que a versão dela também fosse divulgada. As duas versões seguem em apuração pela Polícia Civil.
Após o crime, Alessandro foi abordado quando voltava em direção à casa da vítima e confessou as facadas. Ele estava com um ferimento leve na cabeça, foi levado ao Hospital Santo Antônio, liberado em seguida e conduzido à Delegacia de Polícia. Aos policiais, relatou que havia consumido bebida alcoólica antes da discussão e que também teria levado coronhadas de Leonardo.
O caso é tratado como homicídio doloso consumado, com autoria identificada. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do crime, e as imagens das câmeras devem ser determinantes para definir se houve ou não a provocação alegada pelo autor. A reportagem não localizou a defesa de Alessandro dos Santos Oliveira, e o espaço segue aberto para manifestação.
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