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Mãe leva professora de outra escola para exigir 10 na prova do filho e professor registra BO em Blumenau

A mãe é a suplente de vereadora Teresinha Aparecida Cardoso; segundo o professor Ediniz Ronaldo Martins, ela também o questionou por usar a expressão “nós”

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Mãe leva professora de outra escola para exigir 10 na prova do filho e professor registra BO em Blumenau
Foto: Reprodução
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O professor Ediniz Ronaldo Martins, natural de Santa Isabel do Pará (PA), registrou boletim de ocorrência contra Teresinha Aparecida Cardoso, de 59 anos, suplente de vereadora em Blumenau, depois de uma reunião na escola estadual onde ele dá aula, nesta quinta-feira (29). Segundo o professor, Teresinha levou uma professora de outro colégio para refazer a correção da prova do filho e exigir nota 10. Ele também conta que ela já o havia questionado por usar a expressão “nós”, marca do sotaque paraense.

Ediniz confirmou ao Jornal Razão que registrou o caso na Polícia Civil. Ele também afirma que o áudio da reunião, que começou a circular nas redes sociais, foi gravado pela própria Teresinha. Para Ediniz, ela levou a outra professora à reunião “pra me humilhar”.

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Na gravação, a professora de fora explica que uma questão da prova tinha duas alternativas corretas e pede: “Eu só queria que cê arrumasse a nota dele, ele merece um dez”. Depois, insiste: “Coloca um dez e tá tudo certo”. O professor propõe levar a prova e refazer a nota. Teresinha responde: “Não, a prova dele vai ficar comigo”.

Segundo Ediniz, a voz que pede o 10 é da professora de outro colégio, que não se apresentou na reunião. Quem diz que a prova fica com ela é a própria Teresinha, que, nas palavras dele, também queria o 10, “dez no tapetão”.

O professor diz que não foi o primeiro atrito. No último dia 7, Teresinha foi à escola dizer que ele tinha anulado uma prova do filho. “Isso nunca existiu”, afirma Ediniz, que diz ter respondido a ela que estava equivocada. Segundo ele, as duas reuniões foram registradas em ata pela escola.

Em áudio exclusivo ao Jornal Razão, Ediniz contou o que ouviu dela: “Ela me questionou por eu usar a expressão ‘nós’. Eu sou paraense, sai esse chiado, não tem como mudar o meu sotaque, nem deixar de lado minhas expressões culturais”. Ele dá aula em Blumenau há mais de um ano, tem mais de 120 alunos e afirma que só essa mãe “veio contra a minha pessoa”. “Até hoje eu não entendo esse certo preconceito.”

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O professor Ediniz Ronaldo Martins, natural de Santa Isabel do Pará

O professor afirma ainda que, no ano passado, Teresinha, que não trabalha no colégio, entrou numa sala de aula com soro e suporte de medicação e gravou um vídeo dizendo que o governador a obrigava a trabalhar doente. Segundo ele, o vídeo foi apagado e, desde então, ela só pode entrar na escola para tratar de assuntos do filho.

Num áudio enviado a outro jornalista, ao qual o Jornal Razão teve acesso, Teresinha confirmou que gravou o vídeo com soro, mas contestou o local. “O vídeo foi gravado sim, mas eu quero que prove que foi aí dentro, que eu entrei na sala e que eu gravei na sala”, disse. Em outro trecho, afirmou: “Ninguém sabe em que escola foi, porque mesmo não foi aí”.

No mesmo áudio, Teresinha diz que a perseguição parte do professor. “Provavelmente ele deve ser do grupo bolsonarista, né, pelo que eu tô entendendo, porque eu tava com uma camisa vermelha e ele surtou”, afirmou. Ela também disse que acha bom o professor “parar de perseguir o meu filho”.

Teresinha é professora da rede estadual. Em 2021, como suplente do PT, assumiu por cerca de 30 dias uma cadeira na Câmara de Vereadores de Blumenau, no lugar de Adriano Pereira. Em 2024, concorreu pelo PCdoB, na federação com PT e PV, e ficou novamente como suplente, conforme dados do TSE. Na terça-feira, dia 6 deste mês, véspera da primeira ida à escola relatada pelo professor, ela recebeu da Câmara de Vereadores de Blumenau a Comenda Municipal do Mérito em Educação “Professor Rubens Fredel”, por indicação do vereador Adriano Pereira (PT).

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No Instagram, onde tem 13,6 mil seguidores, ela publica vídeos quase diários sobre política. Em 19 de outubro, criticou o prefeito Egidio Ferrari (PL) por anunciar que não renovaria o contrato de uma professora que foi a um ato político enquanto estava de atestado: “O senhor vai pra cima de uma professora, o senhor vai pra cima dos professores”. No mesmo vídeo, chamou Egidio de “prefeitozinho que não entende nada de educação”.

Em outro vídeo, de 28 de outubro, com mais de 50 mil curtidas, Teresinha comparou o que acontece em Santa Catarina depois da eleição ao período que antecedeu o nazismo na Alemanha. No fim, disse que os professores que apoiam isso “não sabe nem o que que tão fazendo numa sala de aula”.

Depois da reunião desta quinta, Ediniz acionou com urgência o Núcleo de Educação e Prevenção às Violências na Escola (NEPRE), que a rede estadual mantém para atender alunos, famílias e profissionais. O boletim de ocorrência está na Polícia Civil, e um advogado avalia se o professor entra com queixa-crime contra Teresinha.

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© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/educacao/mae-leva-professora-nota-10-filho-professor-bo-blumenau

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