A professora temporária da rede municipal de Blumenau que estava afastada por atestado médico quando foi ao ato pró-Lula de terça-feira (13), na Rua XV de Novembro, publicou vídeos nesta quarta-feira (21) em que rebate o prefeito Egidio Ferrari (PL) e diz ser vítima de perseguição. Natasha, professora ACT do CEI Érica Braun, aparece nas imagens do ato estendendo no chão a bandeira dos Estados Unidos que, em seguida, foi incendiada por um mascarado.
“Queimar uma bandeira dos Estados Unidos não é crime no nosso país, é uma manifestação justa e política”, disse a professora num vídeo gravado ao lado de Marcelino Valencio. No mesmo vídeo, ela afirma que foi às ruas “contra o imperialismo americano” e convida professores a participar das movimentações “pra ajudar a eleger o presidente Lula”.
O que disse o prefeito
Na segunda-feira (19), Egidio anunciou que o contrato da professora, que vence no início de novembro, não será renovado. “Essa mulher que se diz professora não volta mais pra sala de aula aqui em Blumenau”, disse o prefeito, em vídeo publicado nas redes sociais. Segundo Egidio, a decisão não tem relação com a posição política dela: “Se ela é esquerda, se ela faz o L, o problema é só dela. O que eu não admito é esse tipo de perfil. Uma profissional que comete baderna enquanto está, inclusive, de atestado”.
O caso foi revelado pelo portal Mesorregional, em reportagem publicada na segunda-feira (19). O Mesorregional teve acesso ao atestado médico da professora, emitido por uma psiquiatra de Curitiba. A Prefeitura confirmou o afastamento e a perícia do INSS e informou que não pode divulgar detalhes da situação funcional da servidora.

O que diz a professora
Num vídeo de mais de oito minutos, Natasha diz que está afastada por ansiedade e crises de pânico, com benefício por incapacidade reconhecido pelo INSS. A professora afirma que adoeceu depois de testemunhar um caso de racismo no CEI e que, desde então, relata perseguição e assédio moral envolvendo a direção, a coordenação e professoras da unidade. Nenhum órgão confirmou publicamente essa denúncia até a publicação desta reportagem.
“A minha saúde mental não é da conta de jornal nenhum, não é da conta do prefeito”, afirmou. A professora diz que, no dia do ato, “estava bem” e que não vai deixar de se manifestar: “Sim, eu fui a uma manifestação política. Sim, eu tenho posição política, sou de esquerda”. Ela também questiona como o atestado foi parar nas mãos de terceiros e diz que Egidio “não tem o direito de passar por cima de um processo público pra demitir qualquer pessoa”.
No vídeo com Marcelino Valencio, a professora defende que professores tenham “um posicionamento mais à esquerda” e diz que não é “uma sociedade bolsonarista que vai cercear os nossos direitos”. No fim do vídeo dela, Natasha faz um apelo aos colegas temporários: “Hoje sou eu, amanhã pode ser você”.
Fonte: portal Mesorregional.
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