Logo Jornal Razão
Publicidade

Clubes de futebol ameaçam paralisar o Campeonato Brasileiro após governo Lula proibir as bets

Paralisação é discutida nos bastidores como forma de pressão contra a MP de Lula; não há decisão tomada nem proposta de cancelar o campeonato. Marcas das bets precisam sair das camisas até 5 de outubro.

Montagem com o presidente Lula e um celular aberto em aplicativo de apostas esportivas
Foto: Reprodução
Publicidade

Dirigentes dos clubes do Campeonato Brasileiro intensificaram as conversas na noite de segunda-feira (28), por ligações e mensagens, para decidir como reagir à proibição das bets, segundo o colunista Marcel Rizzo, do Estadão. Uma das saídas colocadas na mesa foi parar o campeonato. Como parte da articulação, os clubes decidiram não comparecer à reunião com o governo federal marcada para terça-feira (29), que acabou cancelada por falta de quórum.

Cancelar o Brasileirão não está em discussão. O que existe, até agora, é a paralisação tratada como possibilidade entre os dirigentes, sem nenhuma decisão oficial de interromper a competição. A Série A, aliás, já está parada por causa da Data Fifa, e a bola só volta a rolar na sexta-feira (2), com o jogo atrasado entre São Paulo e Santos.

Publicidade

A briga começou com a Medida Provisória 1.394, assinada pelo presidente Lula (PT) na sexta-feira (25). O texto acaba com a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das bets no país, tanto das apostas esportivas quanto dos jogos online, com a justificativa de que o problema virou questão de saúde pública. Novos contratos de publicidade estão proibidos desde a publicação, os patrocínios que já existiam podem ficar até 5 de outubro, quando as marcas terão de ser retiradas, e a partir do dia 6 sites e aplicativos precisam sair do ar. A MP vale como lei desde já, mas ainda passa pelo Congresso, que pode aprovar, mudar ou derrubar o texto.

O rombo é grande. Catorze dos 20 clubes da Série A têm uma casa de apostas como patrocinadora máster, e em 2025 as bets pagaram R$ 1,143 bilhão aos 20 clubes de maior receita do país, segundo a Sports Value. O Flamengo lidera, com R$ 268,5 milhões fixos por ano, seguido de Corinthians, com R$ 150 milhões, e Palmeiras, com R$ 100 milhões. Na Série B, 13 dos 20 clubes também têm vínculo comercial com empresas de apostas. Os clubes ainda lembram que os próprios naming rights do Brasileirão e da Copa do Brasil foram vendidos para uma casa de apostas.

Santa Catarina entra na conta pela Chapecoense, único catarinense na elite. O Verdão do Oeste estampa a ZeroUm no espaço máster da camisa, em contrato estimado em R$ 10 milhões, um dos menores da Série A. A Chape volta a campo no dia 7 de outubro, às 20h, contra o Vitória, no Barradão. Se nada mudar até lá, será o primeiro jogo do clube já sem a marca da bet no peito.

O convite para a reunião cancelada partiu do ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro, e foi repassado pela CBF aos clubes das Séries A, B, C e D e às federações. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento também participariam. Depois de um encontro na sede da Federação Paulista, em São Paulo, os dirigentes decidiram não mandar ninguém a Brasília, e Flamengo e Vasco estão entre os grandes que aderiram ao boicote. Até o Corinthians, visto como mais alinhado ao Planalto e que negocia com a Caixa a quitação do estádio, entrou no movimento.

Publicidade

Oficialmente, o Ministério do Esporte disse que cancelou por questões logísticas, alegando que o prazo curto e o deslocamento poderiam atrapalhar a presença dos convidados. Nos clubes, a leitura é outra: a agenda teria caráter eleitoral por cair tão perto da eleição. O primeiro turno é no domingo (4), e integrantes do governo passaram a defender que a negociação com o futebol fique para depois da votação.

O que os clubes querem é tempo. A cobrança é por uma transição de seis meses a um ano para encerrar a publicidade das bets aos poucos. A contrapartida oferecida até agora, uma linha de crédito a juros baixos para pagar dívidas, é vista como insuficiente, até porque já estava em negociação antes da proibição. Corinthians e Internacional lideram essa conversa, por meio do BNDES, para clubes das Séries A e B. O valor em estudo pode chegar a R$ 20 bilhões para clubes e SAFs.

A ameaça de parar também mira a CBF. Os dirigentes querem forçar uma reação da entidade, que até então assistia a tudo de longe. O presidente Samir Xaud teria demonstrado insatisfação com a MP e mantido contato com os clubes, mas a confederação não pretende assumir o protagonismo da briga e só ajudou o ministério a convocar a reunião.

A disputa já chegou ao Supremo. A ANJL e o IBJR, entidades do setor de apostas, pediram a suspensão imediata da MP, e o Sinafut, sindicato que reúne clubes, federações e ligas, pediu ao ministro Luiz Fux que suspenda a medida ou garanta pelo menos seis meses de transição. No futebol, o sindicato quer que patrocínios, naming rights, transmissões e licenciamentos valham até 31 de dezembro de 2026. Dois vice-presidentes da CBF estão na diretoria do Sinafut. O pedido também argumenta que tirar as empresas regularizadas do mercado derruba mecanismos de fiscalização contra manipulação de resultados. Até o início da semana, Fux não tinha decidido, e o prazo de 5 de outubro continua valendo.

Publicidade

Pro torcedor, nada muda na arquibancada. A MP não transforma em crime usar uma camisa comprada legalmente com o logo de uma bet. À parte, o governo vai mandar ao Congresso um projeto que cria crimes específicos ligados às apostas.

Os próximos dias decidem o rumo. O ministério diz que uma nova reunião será marcada, enquanto os clubes tratam o encontro como cancelado. No domingo (4) tem eleição, no dia 5 as marcas precisam sair das camisas e no dia 6 as bets saem do ar. Uma eventual paralisação aumentaria a pressão justamente porque o calendário do futebol brasileiro já está apertado até o fim do ano.

Publicidade
Publicidade
Grupo de WhatsApp · Tempo real

Santa Catarina no seu WhatsApp

As manchetes do dia chegam antes de você abrir o site.

Entrar no grupo
+48 mil catarinenses já acompanham