Fogos subiram sobre os trilhos alaranjados e centenas de celulares acompanharam o trem fazer o último looping. No fim da tarde deste domingo (13), a Star Mountain completou a volta derradeira no Beto Carrero World, em Penha, no Litoral Norte de Santa Catarina, e encerrou 32 anos de operação. A atração funcionou normalmente para os visitantes até as 18h e depois foi desligada em definitivo.
A montanha-russa foi inaugurada em 1994, três anos depois da abertura do parque, e foi a primeira grande atração radical do complexo criado por João Batista Sergio Murad, o Beto Carrero, morto em 2008. Fabricada pela holandesa Vekoma, ela virou o cartão de visitas de quem chegava atrás de adrenalina e o primeiro friozinho na barriga de gerações inteiras de catarinenses e turistas.
Os números explicam por que tanta gente foi se despedir. São 22 metros de altura, 730 metros de percurso, velocidade máxima de 60 km/h e dois loopings. A atração conseguia fazer até 15 voltas por hora, transportando cerca de 360 passageiros nesse intervalo. A estimativa do parque é que aproximadamente 35 milhões de pessoas tenham passado por ela desde a inauguração.
A despedida ganhou nome próprio. Batizado de “Encontro das Gigantes”, o evento colocou lado a lado a Star Mountain e a Fire Whip, em uma programação fechada para convidados, jornalistas e influenciadores, além do público que passou o dia no parque. Foi a última vez que as duas montanhas-russas apareceram juntas em operação.
O motivo do encerramento é técnico. A Star Mountain foi aposentada por causa do envelhecimento da estrutura e dos cuidados crescentes exigidos para mantê-la funcionando. Segundo o parque, o acompanhamento técnico e as certificações internacionais indicaram que havia chegado o momento de retirar a atração de operação.
Agora começa a parte que ninguém queria ver. Depois da última volta, a Star Mountain será desmontada, e o terreno dará lugar a uma nova área temática voltada ao público familiar, ainda mantida em sigilo. A ideia do Beto Carrero World é preservar alguma lembrança da atração dentro do complexo.
Enquanto uma montanha-russa sai de cena, outra volta reformada. A Fire Whip passou por um retrofit com investimento superior a R$ 24 milhões e ficou três meses fechada. Entre as mudanças está a substituição completa dos trilhos, a instalação de cerca de 194 toneladas de novos equipamentos, novos freios magnéticos e uma plataforma de automação desenvolvida na Holanda.
A obra mobilizou cerca de 140 profissionais em três turnos, e a atração passou por mais de 160 horas de testes antes de voltar a receber passageiros, incluindo operações sem público e simulações com carga equivalente à ocupação máxima dos carrinhos. A partir desta segunda-feira (14), os visitantes conhecem a nova fase da montanha-russa, que foi inaugurada como a primeira invertida da América Latina.
A saída da Star Mountain acontece no meio da maior transformação já planejada pelo parque. O Beto Carrero World trabalha com um programa de R$ 2 bilhões em investimentos, dividido entre novas atrações e a construção de hotéis e outras estruturas no entorno. O complexo ocupa uma área de 14 milhões de metros quadrados e usa hoje apenas 10% dela.
O carro-chefe dessa expansão já tem endereço e prazo. A área temática inspirada no universo do Bob Esponja, feita em parceria com a Paramount e com montanha-russa assinada pela suíça Intamin, tem inauguração prevista para 2028. A atração terá 1,4 quilômetro de extensão, pouco mais de três minutos de duração e 18 momentos de airtime, a sensação de flutuação. O espaço deve ocupar o terreno onde ficava o antigo zoológico do parque, desativado em 2024.
Antes disso, o parque ainda prepara outra novidade para o público infantil. A área temática da Galinha Pintadinha tem previsão de inauguração ainda em 2026, com investimento de R$ 50 milhões, brinquedos, encontros com personagens e shows exclusivos.
Por ora, o que fica é a fila de gente filmando os fogos no domingo à noite, a estrutura laranja recortada contra o céu de Penha e a certeza de que a próxima montanha-russa do Beto Carrero vai ter que competir com a lembrança de 35 milhões de pessoas.















