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“Vai dar BO”: meteorologista alerta para chuva de até 300 mm e enchentes em Santa Catarina

Piter Scheuer e Ronaldo Coutinho apontam chuva concentrada entre sexta (28) e segunda (31), com acumulados que podem passar de 300 mm no Sul do estado e risco de rios fora da calha do Rio Grande do Sul ao Vale do Itajaí. Defesa Civil prevê granizo e vendaval a partir da tarde de sexta.

Meteorologista Piter Scheuer ao lado de mapa de previsão de chuva com acumulados acima de 200 mm no Sul do Brasil
Reprodução/YouTube
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Santa Catarina entra no fim de semana sob alerta de chuva extrema. Os meteorologistas Piter Scheuer e Ronaldo Coutinho apontam volumes concentrados em dois ou três dias entre esta sexta-feira (28) e segunda-feira (31). Em um dos cenários trabalhados por Coutinho, os acumulados passam de 300 milímetros no Costão da Serra e na bacia do Rio Araranguá, no Sul do estado; Scheuer fala em rios fora da calha nos vales gaúchos e não descarta o mesmo no Vale e no Alto Vale do Itajaí. A Defesa Civil estadual já prevê temporais com vendaval e granizo a partir da tarde de sexta, com risco moderado para alagamentos, destelhamentos e danos na rede elétrica, principalmente no Planalto Sul e no Litoral.

Scheuer, que faz a previsão do tempo para mais de 80 emissoras de rádio e pesquisa tempestades e ciclones a partir da região de Chapecó, no Oeste catarinense, classificou o quadro como “péssimo, péssimo, bem dramático” para o Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina, em vídeo publicado em seu canal. Segundo ele, os volumes devem trazer enchente, alagamento e enxurrada, com risco alto de episódios de tempo severo. O que mais chama a atenção do meteorologista é a concentração da chuva: os acumulados “são extremamente representativos em dois, três dias”.

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No mapa catarinense, Scheuer pede atenção ao Planalto Sul, ao Oeste e ao Meio-Oeste, ao Litoral Sul e ao Costão da Serra, e manda o Vale do Itajaí entrar em monitoramento desde já. “Se esses volumes que estão previstos para o Planalto Sul subir um pouquinho mais para cima, vai dar BO”, avisou. Mesmo sem esse deslocamento, ele considera o volume previsto para o Vale suficiente para preocupar: “Só com esse volume que está previsto para essa área aqui, isso aqui já pode dar problema.” Para o meteorologista, “não dá para descartar aí algum rio que saia da sua calha, no Vale, no Alto Vale”.

ASSISTA AO VÍDEO

Capa do vídeo do YouTube

Coutinho, meteorologista e engenheiro agrônomo, atualizou a previsão na quarta-feira (26), em vídeo divulgado pela RWTV, e afirmou que os cenários mais recentes ficaram mais preocupantes justamente para algumas regiões de Santa Catarina. Os pontos de maior atenção, segundo ele, são o Sul catarinense, o Planalto Sul, a Grande Florianópolis e o Vale do Itajaí. Em um dos cenários analisados, os acumulados superam 300 milímetros em áreas do Costão da Serra e da bacia do Rio Araranguá, com a chuva concentrada principalmente entre domingo (30) e segunda-feira (31). Vale do Rio do Peixe, região de Chapecó e o Norte do estado também aparecem entre as áreas que podem receber volumes elevados. Ao projetar chuva forte na segunda-feira no Norte gaúcho, em Santa Catarina e no Sudoeste do Paraná, Coutinho resumiu que “os cenários não são muito bons”.

A linha do tempo começa pelo vento. Antes da chuvarada, o vento sopra forte do quadrante noroeste a nordeste, com rajadas de 50 a 90 km/h ainda com tempo seco no Oeste, nos Campos de Palmas, no Meio-Oeste catarinense e no Norte e Noroeste do Rio Grande do Sul, segundo Scheuer. Ele explica que rajadas mais fortes indicam maior gradiente de temperatura e pressão, ou seja, um sistema mais intenso a caminho.

Na sexta-feira (28), as pancadas ficam mais ativas e atingem, de forma irregular, áreas do Oeste ao Sul de Santa Catarina, principalmente Planalto Sul e Litoral Sul, ainda segundo Scheuer. A Defesa Civil de Santa Catarina trabalha com o mesmo calendário: uma frente semi-estacionária deixa o tempo instável no fim desta semana e no início da próxima, e entre a tarde e a noite de sexta e a manhã de sábado (29) a combinação de calor e umidade favorece temporais com vendaval e granizo, que devem ganhar intensidade e evoluir para tempo severo principalmente no Planalto Sul, no Litoral e nas regiões próximas. O risco é moderado nas áreas em amarelo do mapa do órgão para destelhamentos, danos na rede elétrica, queda de galhos e árvores e alagamentos.

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No sábado (29), com o deslocamento do sistema, os temporais com granizo se espalham a partir da manhã para o Grande Oeste, o Planalto Norte, o Vale do Itajaí, a Grande Florianópolis e o Litoral Norte, enquanto Planalto Sul e Litoral Sul passam a ter condição de chuva intensa, com risco moderado de alagamentos, danos na rede elétrica, queda de árvores e enxurradas pontuais nas áreas de divisa com o Rio Grande do Sul. É o dia em que a instabilidade chega com força à Grande Florianópolis, que inclui o Vale do Rio Tijucas, e ao Litoral Norte.

Domingo (30) e segunda-feira (31) concentram o pior. Scheuer projeta episódios de tempo severo com chuvas torrenciais, granizo de tamanho pequeno a grande e vendavais, e vai além: “Algum tornado, principalmente no oeste da região sul do Brasil, isso não pode ser descartado.” A sequência de chuva forte e volumosa está prevista pelo menos até segunda-feira, e Coutinho estende o episódio até terça-feira (1º de setembro). No Extremo Sul gaúcho, o volume é menor, mas Scheuer não descarta transtornos pontuais.

No Rio Grande do Sul, a preocupação de Scheuer se concentra no Norte, no Nordeste e no Noroeste do estado, além dos vales dos rios dos Sinos, Caí e Taquari, onde, segundo ele, os rios provavelmente vão sair da calha. O meteorologista fala em “enchente de pequeno, médio, até grande porte, não dá para descartar, uma situação assim bem complexa mesmo”. Coutinho cita as bacias dos rios Taquari, Sinos, Caí e Canoas e as áreas que alimentam o sistema do Guaíba. A Defesa Civil gaúcha já atualizou o cenário hidrológico e aponta risco de inundação nas áreas mais baixas das bacias do Taquari, a partir de Encantado, e do Caí, a partir de São Sebastião do Caí, diante da chuva volumosa prevista para a metade norte do estado.

O que torna o episódio perigoso não é só o número, é o ritmo. Um mesmo volume espalhado por duas semanas escoa sem drama; despejado em 48 ou 72 horas sobre uma bacia inteira, enche o rio antes que ele consiga drenar, transforma córrego em enxurrada e encharca encosta. No Costão da Serra, a faixa de encosta entre a Serra Geral e o Litoral Sul, o efeito é amplificado: o vento úmido que vem do mar bate na serra, sobe e descarrega a chuva ali, o que explica por que as maiores marcas aparecem justamente nessa região e na bacia do Araranguá. Os dois meteorologistas também não dizem exatamente a mesma coisa. Scheuer mantém o Vale do Itajaí em monitoramento, com o núcleo do problema no Planalto Sul e no Rio Grande do Sul, enquanto Coutinho já lista Vale, Grande Florianópolis e Norte catarinense entre as áreas de volume alto. A diferença está nos cenários dos modelos, e por isso a previsão vai ser refinada a cada nova rodada.

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A Defesa Civil recomenda buscar abrigo longe de janelas e de objetos que possam ser arremessados durante os temporais, evitar transitar ou se abrigar perto de árvores, placas, muros e postes com vento forte e nunca atravessar ruas alagadas nem pontes e pontilhões submersos. Quem quiser receber os avisos por SMS envia o CEP para o número 40199, e a emergência da Defesa Civil atende pelo 199; o Corpo de Bombeiros, pelo 193. Scheuer encerrou o vídeo com um pedido: “compartilhem com o máximo de pessoas possíveis, porque esse alerta aí faz a diferença”. Os modelos serão atualizados nos próximos dias, e o Jornal Razão acompanha a evolução dos alertas para o Vale do Rio Tijucas, a Grande Florianópolis e o Litoral Norte.

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