Logo Jornal Razão
Publicidade

Famílias desafiam ciclone em SC e cruzam canal em bote: “Não há outra opção”

Mesmo com ventos acima de 100 km/h em Laguna, moradores seguem usando botes para cruzar o canal, expondo risco e cobrando a construção da ponte do Pontal.

Famílias desafiam ciclone em SC e cruzam canal em bote: “Não há outra opção”
Foto: Reprodução
Publicidade

Em meio a rajadas de vento que ultrapassaram os 100 km/h em Laguna, no Sul de Santa Catarina, moradores e turistas foram flagrados atravessando o Canal da Barra em pequenos botes, desafiando as condições extremas provocadas por um ciclone extratropical que atinge o estado nesta segunda-feira (28).

Imagens registradas por moradores mostram o mar avançando sobre a calçada nas docas do Mercado Público, no Centro Histórico de Laguna, enquanto as águas agitadas da Lagoa de Santo Antônio assustam até os mais experientes. Ao mesmo tempo, vídeos feitos nos molhes da barra revelam embarcações enfrentando grande dificuldade para cruzar o canal, sendo balançadas com força pelos ventos.

Publicidade

Apesar do risco, a travessia de bote continua ocorrendo. E o motivo, segundo os próprios moradores, é simples: “É a única opção de travessia”. A cidade não conta com uma ponte que ligue diretamente os dois lados do canal, fazendo com que embarcações pequenas, como balsas e botes, sejam a única alternativa para quem precisa ir trabalhar, estudar ou realizar atividades básicas.

Nos comentários das redes sociais, a indignação cresce. “Foi avisado que teríamos muitos ventos fortes e que não era pra ir ao mar. Irresponsável quem permite essa travessia nessas condições”, escreveu uma internauta. Outro morador rebateu: “Muitas pessoas trabalham e precisam passar. E vai normalizar quando? Quarta-feira?”

O cenário provocou uma onda de cobranças ao poder público. “Por favor, governador! Olhe pelos lagunenses! O Estado será cúmplice de tragédia anunciada?”, desabafou uma moradora, marcando o governador Jorginho Mello nas publicações. A crítica se repete em diversos comentários que pedem a construção da aguardada ponte do Pontal, projeto que há anos é prometido, mas segue sem sair do papel.

Alguns comentários destacam o preço elevado cobrado na travessia de carro pela balsa, enquanto outros classificam a situação como “deplorável”. “Tragédia anunciada. Poder público municipal omisso”, disse um internauta. “Gente sem juízo, depois morrem e não sabem o porquê”, comentou outro, revoltado com a situação.

Publicidade

A travessia de botes nos molhes é usada diariamente por dezenas de pessoas e, em dias de vento calmo, costuma ocorrer sem grandes riscos. No entanto, nesta segunda-feira, com o avanço do ciclone extratropical, especialistas em meteorologia e a própria Defesa Civil emitiram alertas sobre as condições severas de tempo, recomendando que a população evitasse o mar e áreas costeiras.

Mesmo assim, diante da ausência de uma infraestrutura adequada, as travessias continuaram. “Respeitem a natureza, pessoal. Não se arrisquem”, alertou a autora de um dos vídeos postados nas redes sociais. Em outra gravação, moradores são vistos embarcando sem coletes salva-vidas, enquanto a embarcação balança fortemente no meio do canal. “Eu fiquei com o coração na mão”, escreveu uma usuária.

Em nota anterior, o governo do estado já havia anunciado estudos para a construção de uma ponte ligando os dois lados do canal, mas até o momento nenhuma obra foi iniciada. Enquanto isso, Laguna segue dependente de embarcações frágeis, mesmo em condições climáticas extremas.

A previsão indica que os ventos fortes devem continuar nas próximas horas, e a orientação das autoridades é clara: evitar travessias e áreas de risco até que o tempo se estabilize.

Publicidade
Receba as notícias no WhatsAppEntrar
Publicidade
Publicidade
Grupo de WhatsApp · Tempo real

Santa Catarina no seu WhatsApp

Entre no grupo oficial do Jornal Razão. As principais manchetes do dia, direto no seu aparelho. Sem spam.

Entrar no grupo
+48 mil catarinenses já acompanham
Famílias desafiam ciclone em SC e cruzam canal em bote: “Não há outra opção”