Ele estava internado em uma clínica de recuperação no interior de Canelinha, dividindo as dependências com outros pacientes, quando a guarnição do Tático entrou no estabelecimento e perguntou por ele pelo nome. Do lado de fora daquele muro existia uma ordem judicial expedida quatro dias antes e uma condenação sem mais volta: 34 anos de reclusão por estupro de vulnerável, em regime fechado.
Eduardo Furtado, de 54 anos, foi preso por volta das 21h40 de segunda-feira (17), na Rua João Vicente dos Santos, no bairro Moura, em Canelinha, no Vale do Rio Tijucas. Ele é o 36º condenado por crime sexual capturado pela Polícia Militar de Santa Catarina na região neste ano.
Conforme a PMSC, a informação sobre o possível paradeiro partiu da Agência de Inteligência de Tijucas e chegou à guarnição do Tático do 31º Batalhão de Polícia Militar ainda naquela noite. O dado era específico: o procurado estaria internado em uma clínica terapêutica de Canelinha, endereço que dificilmente entraria em uma busca de rotina por foragidos.
A abordagem dentro da clínica
A equipe se deslocou até o local e fez contato com o responsável pelo estabelecimento, questionando se Eduardo Furtado estava ali. O responsável confirmou a presença do homem nas dependências da clínica e conduziu os policiais até onde ele se encontrava.
No interior do prédio, a guarnição realizou a abordagem, procedeu à identificação e confirmou a existência do mandado de prisão em aberto. Só então foi dada voz de prisão. Não houve resistência nem registro de lesões.
Em seguida, Eduardo Furtado foi levado ao Presídio Regional de Tijucas, onde foi apresentado e entregue à administração prisional. Ele segue à disposição da Justiça para as providências cabíveis.
Uma pena que só termina em 2046
A prisão é definitiva, decorrente de condenação transitada em julgado. Na prática, significa que não cabe mais recurso: o processo acabou, a culpa foi fixada e o que restou foi a execução da pena. O mandado foi expedido pela Vara Criminal da Comarca de Tijucas em 13 de agosto, com validade até junho de 2046.
A condenação é pelo artigo 217-A do Código Penal, que trata do estupro de vulnerável, o crime sexual praticado contra menores de 14 anos ou contra quem não tem condição de oferecer resistência. Restam ao condenado 34 anos, três meses e sete dias a cumprir, em regime fechado.
Um por um
A captura repete o método que a Companhia de Tijucas, responsável pelo comando da PMSC no Vale do Rio Tijucas, vem aplicando desde o começo do ano: a Agência de Inteligência cruza mandados em aberto com informações de campo, levanta o paradeiro e passa o endereço para as guarnições de rua, que fecham o cerco no momento em que o alvo está localizado.
É esse trabalho que o Major Caselli, comandante da PMSC no Vale do Rio Tijucas, costuma resumir na mesma frase a cada nova prisão.
Nossa responsabilidade é com as crianças e mulheres de Tijucas. Vamos pegar um por um.
A sequência virou rotina na região. Em março, a corporação já contabilizava 17 presos por crimes sexuais em apenas dois meses. Em 13 de junho, data do aniversário de Tijucas, veio a 30ª prisão. Dez dias depois, a 31ª, também em Canelinha. No fim do mês, um mecânico condenado por estuprar uma menina com deficiência em São João Batista tornou-se o 33º. Em julho, a PMSC chegou ao 34º, um foragido que havia se mudado do Paraná para a região.
Os esconderijos mudam a cada ocorrência, e é justamente isso que define o padrão. Já houve condenado localizado dentro de uma cerâmica onde trabalhava, outro escondido embaixo de uma cama em área rural, outro parado na frente da própria casa e outro que só perguntou como a polícia havia chegado até ele. Agora, um leito de clínica de recuperação.
Eduardo Furtado permanece no Presídio Regional de Tijucas para o cumprimento da pena em regime fechado. Segundo a Polícia Militar, o levantamento de foragidos com mandados em aberto por crimes sexuais segue em andamento no Vale do Rio Tijucas.



































