Balneabilidade em colapso, praias contaminadas e máquinas abrindo valas na calada da noite: o caos ambiental ‘explodiu’ em Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis.
Governador Celso Ramos, um dos destinos mais cobiçados do litoral catarinense, vive dias de revolta, lama e desconfiança. O que era para ser uma alta temporada de águas cristalinas e sol virou cenário de alerta ambiental.
O relatório de balneabilidade divulgado no dia 30 é devastador: praticamente toda a Praia de Palmas, maior símbolo turístico da cidade, foi considerada imprópria para banho. A contaminação atinge diversos trechos da orla, inclusive em frente às passarelas e postos de salva-vidas.
Mas o problema não para por aí. Outras praias também foram afetadas, como Ganchos, Ganchos de Fora, Canto de Ganchos, Camboa e Canto da Armação da Piedade. Em contrapartida, poucos trechos aparecem como próprios, deixando evidente a desigualdade no acesso ao saneamento básico e a fragilidade do controle ambiental.
Em meio à indignação generalizada, moradores flagraram tratores e retroescavadeiras operando durante a noite no leito de rios e na faixa de areia, escavando valas, desviando cursos d’água e abrindo canais diretamente para o mar. As imagens, divulgadas nas redes sociais, escancaram o cenário de improviso e levantam suspeitas graves: seria uma tentativa desesperada de ocultar despejos clandestinos de esgoto?
Enquanto isso, o prefeito Marquinhos (PL) tenta construir uma narrativa de que a cidade será beneficiada com a privatização dos serviços de água e esgoto, tema que circula nos bastidores da política local e que divide opiniões e fez a população começa a desconfiar: estariam as obras emergenciais ligadas a interesses futuros de concessão do saneamento?
A sensação nas ruas é de abandono. Moradores relatam falta de explicação da prefeitura, ausência de fiscalização efetiva e total desprezo pelas normas ambientais. Muitos pedem intervenção imediata do Ministério Público, da Polícia Ambiental e do Instituto do Meio Ambiente (IMA).
Especialistas consultados alertam que escavar canais artificialmente não resolve o problema e ainda piora a contaminação, pois a água poluída dos rios é lançada diretamente no mar, atingindo banhistas e fauna marinha. É risco direto à saúde pública.
Até o momento, a Prefeitura de Governador Celso Ramos não apresentou qualquer laudo técnico que justifique as intervenções nem informou se há licenciamento ambiental válido para as obras. As intervenções ocorreram justamente em áreas sensíveis e de preservação permanente.
O que era um paraíso turístico está, literalmente, afundando em um mar de suspeitas. A temporada continua, os turistas circulam, mas o banho de mar – esse virou um jogo de azar. A população exige respostas. E quer justiça.
