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Armas liberadas, menos mulheres mortas a tiro: os dados que a campanha de Lula não mostra

Propaganda do 2º turno diz que os decretos de Bolsonaro aumentaram as mortes de mulheres, mas dados do Ministério da Saúde mostram queda, e o feminicídio é cometido principalmente com faca

Armas liberadas, menos mulheres mortas a tiro: os dados que a campanha de Lula não mostra
Foto: Reprodução
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A campanha de Lula (PT) publicou neste domingo (18), no Instagram do presidente, uma propaganda do segundo turno em que ele afirma que Jair Bolsonaro “liberou a venda de arma de fogo, provocando aumento dos casos de morte de mulheres”. O vídeo ataca Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na votação de 25 de outubro, e afirma que Flávio fala em “liberar de novo a venda indiscriminada de arma de fogo”.

Os números oficiais não mostram esse aumento. Segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, 2.330 mulheres foram mortas a tiro no Brasil em 2018, último ano antes dos decretos que facilitaram o acesso a armas. Em 2022, último ano do governo Bolsonaro, foram 1.878, uma queda de 19%. Em todos os anos de 2019 a 2022, o número ficou abaixo de qualquer ano entre 2012 e 2018.

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O total de mulheres assassinadas seguiu o mesmo caminho: 4.519 em 2018 e 3.806 em 2022, queda de 16%. A redução acompanhou a dos homicídios em geral no país, que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Ipea atribuem também ao envelhecimento da população e à trégua entre facções criminosas depois de 2018.

A propaganda de Lula publicada no Instagram neste domingo (18)

Os decretos de Bolsonaro de fato multiplicaram as armas nas mãos de civis. O número de atiradores, caçadores e colecionadores (CACs) com registro ativo no Exército passou de 117 mil em 2018 para 783 mil em 2022, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

No feminicídio, a arma é a faca

Nos feminicídios, os assassinatos de mulheres pela condição de ser mulher, a arma mais usada é a faca. Em 2025, 50,8% dos casos foram cometidos com faca ou outra arma branca, e 22,5% com arma de fogo, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 62,5% aconteceram dentro de casa.

Os feminicídios a tiro ficaram praticamente parados desde 2019, entre 350 e 390 por ano, com Bolsonaro e com Lula, pelo cálculo do Jornal Razão a partir dos percentuais de cada edição do Anuário. A fatia da arma de fogo caiu de 26,9% em 2019 para 22,5% em 2025, a menor da série. O que cresceu foram os casos com faca, de cerca de 710 para cerca de 800, e os cometidos com agressão, asfixia e outros meios.

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Lula assinou em janeiro e em julho de 2023 os decretos que voltaram a limitar a compra de armas e munição. Desde então, o feminicídio bateu recorde três anos seguidos: 1.475 casos em 2023, 1.504 em 2024 e 1.571 em 2025, o maior número desde que o crime entrou no Código Penal, em 2015.

Em Santa Catarina

Em Santa Catarina, os registros ativos de armas na Polícia Federal mais que dobraram: eram 45,8 mil em dezembro de 2017 e chegaram a 106,6 mil em 2022 e a 145,2 mil em 2025, sem contar as armas de CACs, registradas no Exército. Em 2025, o estado teve a terceira menor taxa de assassinato de mulheres do país, 2,1 por 100 mil mulheres, atrás de Sergipe (1,8) e São Paulo (1,9). Foram 85 mulheres assassinadas em SC no ano passado, 53 delas vítimas de feminicídio. Santa Catarina é o 6º estado com mais armas registradas na Polícia Federal por habitante, 1.774 para cada 100 mil moradores em 2025, pelo cálculo do Jornal Razão com dados do Anuário e do IBGE, e teve no mesmo ano a menor taxa de mortes violentas do país, 7,6 por 100 mil habitantes. De 2018 a 2025, as mortes violentas no estado caíram de 940 para 622.

Em SC, a faca matou mais mulheres do que a arma de fogo em 2022, 2023 e 2024, segundo o SIM. Em 2024, foram 40 mortas com faca ou outra arma branca e 22 a tiro; em 2018, antes dos decretos, eram 32 e 32. Em 2019, primeiro ano dos decretos, o número de mulheres mortas a tiro no estado subiu para 46 e voltou a 31 no ano seguinte.

O que dizem os estudos

Os números não permitem dizer que a liberação das armas reduziu as mortes. Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Ipea, de 2022, estimou que a difusão de armas a partir de 2019 impediu uma queda ainda maior dos homicídios em geral no país, e o Anuário trata a liberação de armas como fator de risco para mulheres em situação de violência doméstica. Nenhum dos levantamentos, porém, mostra o aumento das mortes de mulheres que a propaganda de Lula atribui aos decretos de Bolsonaro.

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Fontes: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/Datasus), Ministério da Saúde, Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Armas de fogo e homicídios no Brasil, FBSP e Ipea (2022) e propaganda de Lula no Instagram.

Leia também: Armar as mulheres não resolve os feminicídios, defende candidatura do PT em SC

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/armas-liberadas-menos-mulheres-mortas-a-tiro-dados-campanha-lula

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