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Eleições 2026

Armar as mulheres não resolve os feminicídios, defende candidatura do PT em SC

Diante de 52 feminicídios em 2025 e 32 vítimas até julho deste ano em Santa Catarina, a candidatura coletiva Nós Juntas disse ao Jornal Razão que arma não muda cultura de violência e lembrou que policiais mulheres, treinadas e armadas, também são mortas.

Armar as mulheres não resolve os feminicídios, defende candidatura do PT em SC
Foto: Reprodução
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Distribuir armas para mulheres não vai derrubar o número de feminicídios em Santa Catarina. A resposta partiu da candidatura coletiva Nós Juntas, do PT, durante entrevista no estúdio do Jornal Razão, quando as professoras foram confrontadas com o avanço dos casos no estado e com a tese de que uma mulher armada consegue se defender do agressor.

O coletivo é encabeçado por Marisa Zanoni, candidata a deputada estadual pelo PT com o número 13300 e nome de urna “Marisa Zanoni, Nós Juntas”. São cinco professoras que pretendem dividir um único mandato na Assembleia Legislativa, como o Jornal Razão mostrou nesta semana. Na bancada com a entrevistadora Kaiann Barentin estavam Marisa, a pesquisadora Elizabete Tamanini, a Betinha, de Barra Velha, e a professora Sônia Fernandes, de Camboriú.

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A provocação veio com os números do mapa do feminicídio do Ministério Público: 52 mortes e 255 tentativas em 2025, e mais 32 vítimas apenas até julho deste ano, com alta concentrada no Litoral Norte catarinense. Junto, a fala do candidato ao Senado Décio Lima (PT), que ao ser questionado sobre armar mulheres respondeu que o feminicídio é resultado do discurso.

Capa do vídeo do YouTube

Marisa começou recusando o recorte partidário. “Quando nós ficamos na briga de dizer que isso é uma pauta de direita ou de esquerda, a gente tá perdendo vidas”, afirmou. Ela citou mais de 31 mil medidas protetivas em vigor no estado e sustentou que, antes de cada morte, existe uma sequência de agressões e violações que a política pública não interrompeu.

Para ela, a raiz está na vulnerabilidade econômica e na ausência de estrutura. Mulher sem creche e sem renda própria não sai de um lar abusivo, argumentou. A candidata cobrou delegacia 24 horas, ruas iluminadas, transporte público seguro e atenção às trabalhadoras do comércio e da rede hoteleira que voltam para casa de madrugada.

Marisa também afirmou que Santa Catarina é o único estado sem uma Casa da Mulher Brasileira, por falta de diálogo do governo estadual com o governo federal. O governo de Jorginho Mello (PL) enviou ofício de interesse ao Ministério das Mulheres em 16 de julho deste ano, indicando terreno no Itacorubi, em Florianópolis, e criou em agosto um grupo executivo de implantação sob a vice-governadora Marilisa Boehm.

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“Eu não quero ter medo de encontrar um homem”

A candidata contou que uma eleitora a questionou sobre o spray de pimenta anunciado pelo governo estadual. “A senhora acha que isso vai nos proteger?”, teria perguntado. A resposta dela foi direta: “Eu não quero ter medo de encontrar um homem”. A Lei 19.804, de autoria do deputado Alex Brasil (PL), foi aprovada por unanimidade na Alesc e sancionada em abril deste ano, e não prevê distribuição a todas as mulheres: exige boletim de ocorrência, medida protetiva deferida e renda individual de até dois salários mínimos.

Na prevenção, Marisa apostou na escola. Citou o prefeito de Camboriú, Leonel Pavan (PSD), segundo quem a ampliação da jornada escolar na creche e no ensino fundamental do município derrubou as denúncias de violência contra meninas dentro de casa. “Escola protege”, resumiu.

Foi outra integrante do coletivo quem desmontou o argumento do armamento usando as próprias forças de segurança. Se armar resolvesse, disse, as policiais militares não morreriam pelas mãos de homens armados, porque são treinadas, sabem usar arma e têm preparo para a luta. “Não é armando que a gente muda a cultura da violência”, afirmou.

Capa do vídeo do YouTube

A mesma professora endossou a tese de Décio Lima sobre o peso do discurso público. Para ela, aquilo que figuras públicas dizem vira cultura e autoriza comportamento. Deu a escala: pai que agride a mãe autoriza o filho, governador que agride uma mulher em público autoriza que se agrida mulheres, presidente da República que xinga mulheres está dizendo que agredir é natural. “Isso sim, com certeza, aumentou no contexto brasileiro a violência contra as mulheres”, concluiu.

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Décio Lima disputa uma das duas vagas de Santa Catarina no Senado pelo campo democrático, ao lado de Afrânio Boppré (PSOL). Marisa Zanoni concorre pela mesma coligação que leva Gelson Merisio (PSB) ao governo, com Angela Albino (PCdoB) de vice. A Assembleia Legislativa catarinense tem hoje três mulheres em 40 cadeiras.

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