O ex-procurador Deltan Dallagnol disse nesta quinta-feira (22) que foi escalado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para analisar os documentos fiscais e bancários que o presidente Lula (PT) se comprometeu a entregar. A declaração foi dada em entrevista coletiva no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.
“Da última vez que eu analisei os sigilos de Lula, Lula foi parar na cadeia”, afirmou Deltan, que coordenou a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. Segundo ele, Lula concordou em entregar documentos fiscais e bancários próprios, de parentes e de empresas ligadas à família, desde 2003.
Deltan falou na entrada do TSE, cercado por microfones de emissoras e por integrantes da campanha de Flávio. “Lula é especialista em ocultar patrimônio e eu sou especialista em encontrar o patrimônio ocultado por Lula”, disse.
De acordo com Deltan, o trabalho terá duas partes. Primeiro, ele vai conferir se os documentos entregues estão completos. Depois, vai procurar indícios de enriquecimento ilícito e de ocultação de patrimônio de Lula, da família e de pessoas próximas.
Na coletiva, ele voltou a citar casos da Lava Jato, como o triplex do Guarujá, o sítio de Atibaia e as delações de Marcelo Odebrecht e Antonio Palocci. As condenações de Lula na operação foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021. Deltan afirmou que as provas foram anuladas “sem jamais inocentá-lo”.
Deltan também cobrou a divulgação de gastos com cartão corporativo e disse que Lula “pretende abrir gavetas vazias”. Em seguida, a advogada da campanha de Flávio afirmou que a campanha vai oferecer, sem reserva, tudo o que foi pedido na petição apresentada por Lula.
A abertura dos sigilos virou desafio entre as duas campanhas na reta final da eleição. O 2º turno está marcado para domingo (25).
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