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Dino sugere que críticas a Estela Aranha são por ela ser mulher e esconde o passado petista da ministra

Ministro do STF perguntou por que a decisão "da única mulher" é mais atacada que as de Kassio e Gilmar; texto não cita que ela trabalhou no ministério dele, foi nomeada por Lula e gravou vídeo pedindo voto no petista em 2022

Dino sugere que críticas a Estela Aranha são por ela ser mulher e esconde o passado petista da ministra
Foto: Reprodução
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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), saiu em defesa da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta sexta-feira (2), um dia depois de a TV Globo cancelar o debate presidencial. Em texto publicado no Instagram, Dino perguntou por que a decisão “da única mulher” é mais atacada do que as decisões “dos dois homens”, os ministros Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes, que também mexeram nas regras do programa. O ministro não usou as palavras machismo nem misoginia, mas fechou o texto com um “vale refletir”.

O texto não menciona que Estela Aranha trabalhou para o próprio Dino no Ministério da Justiça, que foi assessora especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chegou ao TSE por nomeação de Lula e que gravou um vídeo, em 2022, pedindo voto no petista. Também não diz que, das três decisões, a dela foi a única que atendeu a um pedido da coligação de Lula.

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O que Dino escreveu

Com o título “Poder Judiciário e eleições”, o ministro afirma que “é inerente ao princípio da separação de Poderes a Justiça ser acionada para solucionar controvérsias”. Ele diz defender “a legitimidade dos dois magistrados (ministros Kassio e Gilmar) e da magistrada (ministra Estela) que tomaram decisões judiciais sobre regras de debates, a exemplo do que já ocorreu dezenas de outras vezes no Brasil”. Para Dino, “são três decisões legítimas, sendo igualmente legítimas as discordâncias quanto aos seus conteúdos”.

Estela Aranha em vídeo de 2022, quando era advogada, pedindo voto em Lula no segundo turno

O ministro usa dois exemplos. O primeiro é a eleição de 2000 nos Estados Unidos, decidida na Suprema Corte por cinco votos a quatro no caso Bush contra Gore, com a recontagem da Flórida interrompida. “Crise institucional? O fim da Suprema Corte dos Estados Unidos? Impeachment dos seus juízes? Nada disso ocorreu”, escreve. O segundo é a eleição de 1989 no Brasil, quando a Justiça Eleitoral barrou a candidatura de Silvio Santos a menos de uma semana da votação. “Insuportável judicialização? Não. A Justiça mais uma vez foi chamada a resolver um litígio.”

Em seguida, Dino mira os críticos: “O que não é legítimo é pretender voltar a antes de 1930, à República Velha (ou das oligarquias), em que não existia Justiça Eleitoral e só existia uma lei: a lei do mais forte”.

O recado sobre Estela Aranha vem no último parágrafo: “Uma última pergunta: por que a decisão judicial da única mulher (ministra Estela) é mais atacada do que a decisão dos dois homens (ministros Kassio e Gilmar)? Lembrando: o ministro Kassio determinou à Globo a participação do candidato Zema; o ministro Gilmar garantiu a presença do candidato Renan Santos; a ministra Estela tratou sobre a existência ou não de uma cadeira vazia no cenário. Vale refletir”.

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O que o texto deixa de fora

Estela Aranha foi nomeada em janeiro de 2023 assessora especial de Flávio Dino, então ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Lula. Na mesma pasta, comandou a área de Direitos Digitais, que virou secretaria. Depois, foi assessora especial da Presidência da República. Lula a nomeou ministra do TSE em julho de 2025, e a posse foi em 1º de agosto daquele ano. Segundo o portal ND Mais, a indicação teve o apoio de Dino. A ministra também integra o Prerrogativas, grupo de advogados ligados à esquerda e ao PT.

Em outubro de 2022, no segundo turno, ela gravou um vídeo pedindo voto em Lula. “Sou Estela Aranha, sou advogada. E eu voto em Lula no segundo turno, voto 13, porque, como advogados, nós não temos outra opção que não seja o Lula”, diz na gravação, que voltou a circular depois do cancelamento do debate. Ela termina assim: “Os advogados devem votar em Lula, inclusive pra salvar o próprio sistema de Justiça”. Na época, Estela Aranha era advogada e não ocupava cargo no tribunal.

O jornal O Tempo localizou na base de doadores do próprio TSE três doações da hoje ministra a campanhas: R$ 800 para Nabil Bonduki (PT), candidato a vereador em São Paulo em 2004; R$ 1.000 para Jean Wyllys (PSOL), em 2018; e R$ 750 para Erika Hilton (PSOL), em 2022.

As três decisões não são iguais

Dino resume a decisão da ministra a “uma cadeira vazia no cenário”. A liminar foi além. A pedido da coligação de Lula, Estela Aranha suspendeu a regra do debate que mantinha no estúdio o púlpito com o nome do candidato que faltasse e proibiu os adversários de fazerem perguntas dirigidas ao presidente, que já tinha avisado que não iria. A regra constava da ata assinada pelas campanhas, inclusive pelo advogado do PT.

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As outras duas decisões colocaram candidatos no programa. Kassio Nunes Marques, presidente do TSE e indicado ao STF por Jair Bolsonaro, mandou a Globo incluir Romeu Zema (Novo) na terça-feira (29). Gilmar Mendes, indicado por Fernando Henrique Cardoso, determinou na quinta-feira (1º) a entrada de Renan Santos (Missão), depois de o próprio Kassio e a ministra Cármen Lúcia negarem o pedido.

Foi depois da liminar de Estela Aranha que o senador Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de ir à emissora. “Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE”, escreveu no X. Sem Lula e sem Flávio, e com duas notificações recebidas horas antes do programa, a Globo cancelou o debate e falou em “insegurança jurídica” e “interferência indevida”. Abert, ANJ e Aner, entidades que representam emissoras, jornais e revistas, classificaram as decisões como “agressão à liberdade de imprensa”.

A liminar de Estela Aranha ainda será analisada pelo plenário do TSE. O primeiro turno é neste domingo (4). Até a publicação desta matéria, o Jornal Razão não localizou manifestação da ministra sobre as críticas nem sobre o vídeo de 2022.

Fontes: O Tempo e ND Mais.

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© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/dino-estela-aranha-criticas-mulher-passado-petista-tse

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