O governador Jorginho Mello (PL) reagiu à fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que o agronegócio deveria se ajoelhar diante dele durante visita a cidades castigadas pela chuva em Santa Catarina. Em entrevista em Ermo, no Extremo Sul do estado, uma região de produtores rurais, Jorginho foi questionado sobre o assunto e disse que o petista “não devia estar muito sóbrio” quando fez a declaração.
“É, o Lula veio falar bobagem aqui, veio dizer que os nossos agricultores têm que se ajoelhar pra ele, ele não devia estar muito sóbrio. Falar uma bobagem dessa, nós temos que respeitar Santa Catarina e quem produz e quem trabalha aqui”, afirmou o governador.
A frase de Lula foi dita no sábado (19), durante um ato de campanha na praça Tancredo Neves, em Florianópolis, quando o presidente afirmou que, se dependesse do dinheiro investido por seu governo, o agronegócio deveria “não só votar, mas se ajoelhar” para ele. Para sustentar o argumento, o petista disse que nunca houve tanto dinheiro para a agricultura quanto agora.
No mesmo comício, Lula afirmou que lançou Gelson Merísio (PSB) ao governo do estado para “desmascarar o Seu Jorginho”, que disputa a reeleição. Ele também chamou Merísio ao microfone e sugeriu que o candidato se reunisse com o pessoal do agronegócio catarinense para perguntar por que o setor não gosta do PT, atribuindo a resistência ao fato de ser nordestino ou pobre.
O giro do governador foi pelos municípios do Extremo Sul que decretaram situação de emergência depois da chuva. Jorginho passou por Ermo e seguiria para Araranguá. Na véspera, esteve em Criciúma. Segundo ele, o objetivo foi ver de perto os estragos e identificar, com o secretário da Proteção e Defesa Civil, coronel Fabiano de Souza, o que provocou os alagamentos em cada lugar, como em Timbé do Sul.
Em Criciúma, Jorginho contou que entrou em casas de moradores atingidos e ouviu relatos de quem perde tudo a cada cheia. Ele citou uma mulher que trabalha como cuidadora: “Eu sou cuidadora de dia e de noite, para comprar minhas coisinhas e cada ano vai embora. Então eu já nem compro mais coisa boa, porque eu sei que é só um ano que vai durar”. Para o governador, “isso nós temos que terminar com isso em Santa Catarina”.
A aposta do governo, disse ele, é a prevenção. Jorginho lembrou que mudou o nome da pasta, que passou de Defesa Civil para Proteção e Defesa Civil, e afirmou que o Estado reformou todas as barragens e dragou 400 quilômetros de rios em parceria com as prefeituras, que também fazem a limpeza de córregos, bueiros e bocas de lobo. Como exemplo, citou Rio do Sul, onde a retirada de uma ilha do meio do rio fez a água não sair do leito.
O governador também falou da chegada do El Niño, fenômeno que costuma aumentar as chuvas no Sul do país. “O El Niño está vindo, nós estamos preparados para ele. Nunca ficamos tão bem preparados”, disse.
Questionado sobre quando os municípios do Extremo Sul vão receber recursos, em pleno período eleitoral, Jorginho disse que a assistência humanitária e o primeiro atendimento já foram feitos. Para obras, segundo ele, a velocidade depende dos projetos enviados pelas prefeituras, e o decreto de emergência permite agilizar o atendimento. “Dinheiro a gente tem, graças a Deus o Estado está saneado, não devemos um pila para ninguém”, afirmou.
Na mesma entrevista, o governador lamentou a queda do helicóptero em Urubici que matou cinco pessoas, entre elas o cantor Rick. Jorginho contou que havia conversado com o cantor poucos dias antes e que ele era apaixonado por Santa Catarina: morava em Itapema, tinha casa em Rancho Queimado e participava, com outros cantores, de um condomínio em São Joaquim. “Eu recebi ele lá em casa muitas vezes. Ele cantava e eu só ia atrás dele”, lembrou.
Segundo o governador, o enterro será em Sorocaba (SP), mas ele não poderá ir por causa dos atendimentos às cidades atingidas pela chuva. “Foi uma tragédia para Santa Catarina. Que Deus o receba. Ele que continue cantando lá em cima para nós”, disse.























