O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou quem defende a escola cívico-militar durante um evento no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta quarta-feira (14). “Tem maluco pra tudo. Não é só maluco beleza, tem maluco pra tudo”, disse o presidente, a 11 dias do segundo turno da eleição presidencial.
A fala foi no fim do discurso da cerimônia em que Lula assinou o decreto que regulamenta o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos. Diante de um público ligado à produção de games, o presidente disse que o Estado brasileiro passa a ter “uma política de game” e fez um alerta: “Fazer é difícil, destruir é apenas um passo”.
Lula pediu então que o setor se organize “pra que vocês não permitam que ninguém tire o que vocês conquistaram”. Em seguida, descreveu quem poderia tentar barrar a medida: “E o cara pode entrar e falar: ‘Não gosto disso, isso não presta, isso vai ensinar bobagem pro meu filho, porque eu quero uma escola cívico-militar'”.
O presidente chamou esse tipo de ideia de “loucura que a gente pensava que não existe mais, mas que existe”. Ele encerrou o discurso pedindo que os desenvolvedores aproveitem a regulamentação e façam do setor “uma grande indústria, orgulho do Brasil”.
SC foi na direção contrária
Santa Catarina é um dos estados que mais apostaram no modelo que Lula criticou. Quando o governo federal encerrou o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares, criado na gestão de Jair Bolsonaro, em julho de 2023, o Estado decidiu manter as escolas com recursos próprios. Na época, a escola cívico-militar municipal de Itapema, com cerca de 800 alunos, estava na lista das atingidas pelo fim do programa federal.
Em dezembro de 2023, o governador Jorginho Mello (PL) assinou o decreto que criou o Programa Estadual de Escolas Cívico-Militares, que manteve as nove escolas estaduais que já funcionavam no modelo. O programa passou a 15 escolas em 2025, e a Secretaria de Estado da Educação previa chegar a 17 até o fim daquele ano, com unidades em cidades como Blumenau, Criciúma, Chapecó, Florianópolis, Palhoça, Biguaçu e Itajaí.
Os colégios da Polícia Militar de Santa Catarina também aparecem entre os melhores do Estado. No Enem 2024, o Colégio Policial Militar Feliciano Nunes Pires, em Blumenau, teve o melhor resultado entre todas as escolas públicas catarinenses.
O modelo também é disputado na Justiça. Em agosto, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) mandou a Prefeitura de Brusque desligar os 39 assessores das seis escolas do programa municipal de escolas cívico-militares, que atende 3.065 alunos. A prefeitura recorreu para tentar reverter a decisão.
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