Picolezeiros da comunidade de Sanga Grande, em Meleiro, no Sul de Santa Catarina, se revoltaram depois que um encarregado da prefeitura barrou a venda de picolé em frente ao cemitério da localidade. O bate-boca foi filmado com o celular e publicado nas redes sociais neste domingo (1º), véspera de Finados, o dia de maior movimento nos cemitérios.
No vídeo, o encarregado aponta para longe e deixa claro onde o picolé pode ficar. “Pra cá não entra”, diz. “Vende lá, ó.” Os vendedores rebatem que o cemitério é espaço público. “Não, senhor”, responde o encarregado, que também reclama que “tem tanto espaço lá”.
A discussão logo trocou o picolé pela política nacional. “Isso aqui é um baita dum comunista, isso é Lula”, dispara o homem que filma a cena. “Tu é Lula, tu é Lula, tu é Lula. Só pode ser Lula.” Em seguida, ele defende o vendedor: “Aqui é um trabalhador, meu amigo”.
Recado ao prefeito
O encarregado não recua e manda a reclamação subir de nível. “Vai lá e entrega pro prefeito”, diz, e completa: “Fui eu que tratei”. O homem que filma promete levar o caso adiante. “Isso aqui eu vou botar no Instagram”, avisa, antes de chamar a proibição de “maior vergonha pra comunidade Sanga Grande”.

No fim do vídeo, o recado vai direto ao prefeito de Meleiro, com uma dose de ironia. “Tá vendo, prefeito? Tá vendo como é que é a política?”, pergunta. “Só quero que o povo vote nele de novo.”
Na publicação, o autor do vídeo afirma que os vendedores servem a população da Sanga Grande vendendo picolé há mais de 30 anos. Ele chama de “vergonha” a cidade ter “funcionários despreparados querendo mandar em um cemitério público” e diz que o encarregado afirmou não ter medo do prefeito nem da polícia. O texto termina com um pedido de desculpas à população, “que não tem culpa”.
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