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Sonho da casa própria cada vez mais longe: Santander também sobe juros e quem financia fica sem o FGTS

Banco subiu a taxa mínima de 11,69% para 12,49% ao ano e passou do teto que libera o FGTS. É o terceiro grande banco a encarecer o financiamento em menos de uma semana após a eleição

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O sonho da casa própria ficou mais longe para quem depende do banco. O Santander subiu os juros do financiamento imobiliário e, desde a última sexta-feira (30), cobra no mínimo 12,49% ao ano, mais TR. Até a véspera, a taxa mínima era de 11,69%.

Em menos de uma semana depois do segundo turno, os três maiores bancos privados do país encareceram o crédito da casa própria. Primeiro foi o Bradesco, na segunda-feira (26), menos de 24 horas depois da reeleição de Lula (PT). Depois veio o Itaú, na quinta-feira (29). Agora, o Santander.

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Com a nova taxa, quem financiar o imóvel no Santander perde também o direito de usar o FGTS na compra. A taxa passou do teto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), a condição para o saldo do fundo entrar no negócio.

Na quarta-feira (28), o Santander ainda confirmava a taxa de 11,69% e dizia que acompanhava os movimentos do mercado. No dia seguinte, anunciou o reajuste. Em nota, o banco informou que “acompanha regularmente os indicadores econômicos e as condições do mercado imobiliário” e que “avalia continuamente as condições de seus produtos de crédito”. O Santander não explicou o motivo da alta e disse que ela vale só para novas propostas.

Parcela mais cara todo mês

Pelas contas do Jornal Razão, num financiamento de R$ 300 mil em 30 anos pela tabela SAC, a primeira parcela no Santander passa de R$ 3.610,03 para R$ 3.790,16, sem contar TR, seguro e tarifas. São R$ 180 a mais por mês. Num financiamento de R$ 500 mil, a primeira parcela sobe de R$ 6.016,72 para R$ 6.316,94: R$ 300 a mais, todo mês.

O reajuste do Santander foi de 0,8 ponto percentual. No Bradesco, a taxa mínima da maioria dos clientes saltou de 11,69% para 15% ao ano, alta de 3,3 pontos de uma vez. No Itaú, foi de 11,99% para 12,95%.

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Sem FGTS na compra

A Resolução 4.676 do Conselho Monetário Nacional limita o financiamento do SFH a um custo efetivo de 12% ao ano para o comprador, somando juros, comissões e outros encargos financeiros. Seguros e tarifas ficam fora da conta. Com 12,49%, o Santander passa desse limite.

Acima do teto, o financiamento sai do SFH e vai para o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), em que as taxas são livres. Pela lei do FGTS, o saldo do fundo só pode ser usado na compra da casa própria quando a operação é financiável nas condições do SFH. Com as taxas novas, quem fechar o financiamento no Santander, no Bradesco ou no Itaú fica sem essa ajuda.

Santander já era um dos mais caros

Antes do reajuste, o Santander já cobrava uma das maiores taxas do mercado. Em setembro, segundo o Banco Central, o banco cobrou em média 11,85% ao ano, mais TR, nos financiamentos com taxas reguladas, os do SFH. Foi a segunda maior média entre as 14 instituições da lista, atrás só do Itaú (11,87%).

O Santander é o quarto maior financiador da casa própria com dinheiro da poupança, segundo a Abecip, associação das instituições de crédito imobiliário. Na semana passada, o banco divulgou o balanço do terceiro trimestre: lucro gerencial recorrente de R$ 2,9 bilhões, 28% menor que um ano antes, e carteira de crédito imobiliário 10,3% maior em 12 meses.

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Por que os bancos estão subindo os juros

Os bancos atribuem os reajustes à disparada dos juros futuros depois do segundo turno. Na segunda-feira (26), primeiro dia útil depois da reeleição de Lula, o contrato de DI para janeiro de 2031, referência para o crédito de longo prazo, saltou de 12,64% para cerca de 15,28% ao ano.

O dinheiro para emprestar também está mais caro. A poupança, principal fonte do crédito da casa própria, teve saída líquida de R$ 53,2 bilhões de janeiro a setembro, segundo o Banco Central. Para completar o caixa, os bancos recorrem a Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), que encarecem quando os juros futuros sobem.

Quem já está comprando

Quem já assinou o contrato continua pagando a taxa definida nele. O risco maior é de quem comprou imóvel na planta: o financiamento com o banco só é contratado na entrega das chaves, e vale a taxa daquele dia, não a do dia em que o comprador assinou com a construtora.

A Caixa, maior financiadora da casa própria do país, e o Banco do Brasil não anunciaram mudança nas taxas. A Caixa está em período de silêncio por causa da divulgação do balanço. O Minha Casa, Minha Vida, com juros subsidiados, fica fora dos reajustes.

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira (4) se mantém a Selic em 13,75% ao ano.

A imagem que abre esta matéria é ilustrativa.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/economia/sonho-casa-propria-mais-longe-santander-sobe-juros-fgts

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