O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) se revoltou com um suposto acordo do próprio partido para reeleger Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara dos Deputados e Davi Alcolumbre (União-AP) no comando do Senado. Em vídeo publicado nas redes sociais neste domingo (1º), o catarinense disse que não vai apoiar nenhum dos dois e avisou que será candidato ao comando da Câmara se o PL não lançar um nome próprio.
“Eu não sou obrigado a apoiar vagabundo nem pra presidente da Câmara, nem pra presidente do Senado”, disparou logo no começo da gravação. “Que papo furado é esse? Fazer acordo pra gente ganhar a presidência do Senado e aí apoiar o Alcolumbre, o Hugo Motta, pra ser o presidente da Câmara. Que conversa fiada é essa, gente?”
O alvo principal foi Motta. “Eu não vou ser governado por um presidente frouxo, mole como o Hugo Motta”, afirmou o deputado. Zé Trovão disse que o PL “fez maioria na Câmara, fez maioria no Senado” e que é hora de botar “as cartas na mesa”, citando a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos presos pelos atos de 8 de janeiro. “Nós não podemos aceitar arrego pra homens que apoiaram Luiz Inácio Lula da Silva”, completou. Motta e Alcolumbre mantêm boa relação com o presidente Lula (PT), reeleito em outubro.
O catarinense também acusou colegas de mentir ao eleitor quando defendem o apoio a Motta como condição para o PL não perder a disputa no Senado. “Mentira! Seus mentirosos. Nós, se for pra perder, eu prefiro perder lutando”, disse. “Eu não vou me curvar pra esta m*** desse sistema. Eu não fui reeleito pra isso.”

Candidatura lançada
Zé Trovão já se colocou oficialmente na disputa. Na noite deste domingo, o deputado publicou nas redes sociais uma nota oficial com a candidatura à presidência da Câmara dos Deputados, com o lema “Transparência e Firmeza”. No vídeo, ele já tinha avisado que a equipe estava preparando a candidatura. “É regimental. Eu vou lançar a minha candidatura”, disse. “Ou o PL lança um nome competitivo ou eu serei.”
Esta não é a primeira vez que o deputado sobe o tom em vídeo. Em outubro, Zé Trovão chamou Lula de “vagabundo” antes de um ato da campanha do petista com caminhoneiros em São Paulo.
O que está em jogo
A eleição para as presidências da Câmara e do Senado está marcada para 1º de fevereiro de 2027, dia da posse dos parlamentares eleitos em outubro. O PL terá a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, à frente da federação PT-PCdoB-PV, com 88. Motta, que preside a Casa desde fevereiro de 2025, tenta a reeleição e reúne o apoio de 15 partidos, entre eles o PT.
Nos bastidores de Brasília, o PL discute se lança candidato próprio na Câmara ou se compõe com Motta. Uma das possibilidades em negociação é apoiar a reeleição do presidente da Casa em troca de cargos na Mesa Diretora e no comando de comissões importantes. A ideia de candidatura própria, com nomes como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Altineu Côrtes (PL-RJ), perdeu força nas últimas semanas.
No Senado, o PL quer disputar a presidência e cita Rogério Marinho (PL-RN) como possível adversário de Alcolumbre, que diz ter ao menos 48 votos para continuar no cargo. Até a publicação desta reportagem, o PL não tinha anunciado decisão sobre as duas disputas. A bancada do partido deve se reunir nesta semana para discutir o assunto.
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