Ele saiu do hospital com placas e parafusos sustentando os ossos, mas fez questão de dizer que estava levando outra coisa junto. Depois de dias internado no Hospital de Tijucas, Gabriel Barentin, morador de São João Batista, escreveu uma carta pública para agradecer às pessoas que cuidaram dele enquanto se recuperava de um acidente.
O texto não fala de reclamação nem de fila. Fala de nome próprio. Gabriel cita as três profissionais que acompanharam a internação, Eva, Juliana e Nayara, e escreve que elas cuidaram dele como quem entende que um paciente é muito mais do que um prontuário.
A gratidão se estende às equipes do Pronto-Socorro, do Centro Cirúrgico e da Internação, aos médicos ortopedistas Guilherme e Leandro, responsáveis pelo tratamento, e ao Corpo de Bombeiros, que fez o socorro no momento do acidente.
O que ninguém vê
O ponto central da carta é justamente o que fica invisível. Gabriel escreve que milhares de pessoas passam todos os dias em frente ao Hospital de Tijucas sem nunca precisar atravessar as portas, e que poucas conhecem quem trabalha do lado de dentro.
Em meio à dor, vi serenidade. Em meio à incerteza, encontrei segurança. Em meio ao sofrimento, encontrei humanidade.
Ele descreve o trabalho da enfermagem como uma missão silenciosa, exercida longe dos holofotes, sem aplauso e quase sempre sem reconhecimento. E defende que agradecer, nesses casos, deixa de ser gesto de educação e vira dever moral.
A carta também registra o apoio da família durante a internação. Gabriel agradece à esposa, Aline, à irmã, Tuany, e ao irmão, Lorran, além dos demais familiares que acompanharam a recuperação.
O fechamento resume o que ele decidiu levar do hospital. Não são só as placas e os parafusos que ajudam a reconstruir os ossos, escreve, mas a admiração por quem reconstrói a esperança de outras pessoas todos os dias.
Leia a íntegra da carta
Há uma convicção que levo comigo: o verdadeiro valor de uma pessoa não se revela no que ela diz, mas naquilo que faz, silenciosamente, todos os dias. Enquanto refletia sobre os últimos acontecimentos da minha vida, percebi algo que antes me passava despercebido.
Milhares de pessoas passam diariamente em frente ao Hospital de Tijucas sem jamais precisar atravessar suas portas. Poucas conhecem o que existe além delas: homens e mulheres que escolheram dedicar a própria vida ao cuidado do próximo. Longe dos holofotes, sem aplausos e quase sempre sem reconhecimento, exercem uma das mais nobres virtudes humanas: servir.
Durante os dias em que estive internado, encontrei profissionais que demonstraram competência técnica e sensibilidade caminhando lado a lado. Em meio à dor, vi serenidade. Em meio à incerteza, encontrei segurança. Em meio ao sofrimento, encontrei humanidade. Esta fotografia registra três mulheres extraordinárias: Eva, Juliana e Nayara, que, com dedicação, paciência e bondade, cuidaram de mim como quem compreende que cada paciente é muito mais do que um prontuário. Elas representam tantas outras enfermeiras e técnicas de enfermagem que, todos os dias, fazem do cuidado uma missão silenciosa.
Minha gratidão também se estende aos profissionais do Pronto-Socorro, do Centro Cirúrgico e da Internação, aos médicos ortopedistas, doutores Guilherme e Leandro, cuja competência foi decisiva para o meu tratamento, ao Corpo de Bombeiros, pela rapidez e profissionalismo no momento do acidente, e, de forma muito especial, à minha esposa, Aline, à minha irmã Tuany e ao meu irmão Lorran, além de toda a minha família, que permaneceram firmes ao meu lado quando eu mais precisei.
Vivemos tempos em que as críticas encontram espaço com facilidade, enquanto os bons exemplos, muitas vezes, permanecem em silêncio. Por isso, senti que também era meu dever partilhar esta experiência. O reconhecimento é uma forma de justiça. Quando encontramos profissionais que honram a missão que escolheram, agradecer deixa de ser apenas um gesto de educação e passa a ser um dever moral.
Saio deste hospital levando comigo não apenas placas e parafusos que ajudarão a reconstruir meus ossos, mas também uma profunda admiração por aqueles que, todos os dias, ajudam a reconstruir a esperança de tantas pessoas.
A todos vocês, a minha mais sincera gratidão.
Que jamais lhes falte força para continuar fazendo o bem, serenidade para enfrentar os dias difíceis e virtude para permanecerem fiéis ao propósito que abraçaram. Porque, no fim, são justamente as pessoas que praticam o bem quando ninguém está olhando que tornam o mundo um lugar melhor.

























