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Hospital de Camboriú pode fechar em outubro e Prefeitura não tem decisão

Contrato da gestora do Hospital Cirúrgico termina no dia 25, funcionários estão de aviso e a Prefeitura ainda não definiu quem assume a unidade

Hospital de Camboriú pode fechar em outubro e Prefeitura não tem decisão
Foto: Reprodução
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O Hospital Cirúrgico de Camboriú (HCC) corre o risco de fechar as portas no fim de outubro. O contrato da Associação Hospitalar do Brasil (AHBR), entidade que administra a unidade, termina no dia 25, e a Prefeitura de Camboriú ainda não definiu quem vai assumir o hospital a partir do dia seguinte.

Faltando 20 dias para o fim do prazo, não há nova gestora escolhida, não há chamamento público em andamento e a Prefeitura não confirmou se vai assumir a unidade por conta própria.

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Segundo o diretor técnico do hospital, Alexandre Tolentino, os funcionários já estão de aviso prévio.

Gestora se prepara para sair

Em nota enviada ao Jornal Razão e assinada pelo diretor-presidente Christian Correia Salgado, a AHBR confirmou que pode deixar o hospital no dia 25.

“Nas condições contratuais vigentes, a AHBR permanece integralmente responsável pela gestão e operacionalização do Hospital até 25 de outubro de 2026. Caso não haja nova definição até essa data, a entidade está se preparando para entregar a gestão e operacionalização da unidade ao Município”, diz a nota.

A associação afirma que está conduzindo a transição junto com a Prefeitura e que vai manter o atendimento até o último dia do contrato.

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“Até eventual alteração desse cenário, a AHBR continuará cumprindo integralmente suas obrigações, mantendo os serviços, as escalas assistenciais e a continuidade do atendimento à população até o término da vigência contratual”, informou.

O que está em jogo

O HCC é o hospital de uma cidade de mais de 100 mil habitantes, onde cerca de 91% da população depende do SUS. A unidade concentra o pronto-socorro, as cirurgias e as internações do município.

Entre março e maio, segundo a própria AHBR, o hospital fez em média mais de 6,8 mil atendimentos de pronto-socorro por mês. Se ninguém assumir a gestão no dia 26, é esse atendimento que fica sem responsável definido.

Prefeitura não tem decisão

A Prefeitura informou que está em tratativas com dois hospitais para assumir a gestão do HCC: o Hospital Marieta Konder Bornhausen, de Itajaí, e o Hospital Azambuja, de Brusque. Também disse que pode assumir o hospital por conta própria, se for necessário, até que a situação seja definida. Não informou, porém, como faria isso nem com que equipe.

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O Jornal Razão procurou os dois hospitais. O Marieta informou que não tem posicionamento sobre o assunto. O Azambuja não respondeu até a publicação desta reportagem.

A reportagem também tentou falar com o prefeito Leonel Pavan. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que ele não tem interesse em falar.

Segundo a AHBR, a Prefeitura também voltou a procurar a própria entidade para uma possível permanência.

“Paralelamente, o Município apresentou novo Termo de Referência e consultou a AHBR acerca da apresentação de nova proposta. A entidade está avaliando as condições apresentadas e a viabilidade de permanecer na gestão”, diz a nota.

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Hospital vive de 30 em 30 dias

A AHBR assumiu o hospital em 27 de fevereiro, em caráter emergencial, por 180 dias. Era o prazo para a Prefeitura escolher, por chamamento público, uma gestora definitiva. Isso não aconteceu.

“Durante a execução, o Município realizou novo chamamento para contratação regular. A AHBR novamente participou e foi declarada vencedora. Posteriormente, contudo, após recurso apresentado pela Pró Vita, a Administração decidiu pelo cancelamento do procedimento”, relata a entidade.

O chamamento foi revogado em 5 de agosto. Desde que os 180 dias acabaram, no fim de agosto, o hospital passou a funcionar com contratos curtos.

“A entidade concordou e celebrou novo instrumento emergencial, inicialmente por 30 dias e posteriormente prorrogado por mais 30 dias, estando atualmente vigente até 25 de outubro de 2026”, afirma a AHBR.

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A própria gestora admite que a situação já afeta o funcionamento da unidade.

“As sucessivas prorrogações por períodos reduzidos geram natural incerteza quanto à continuidade da operação e dificultam o planejamento de recursos humanos. Nesse contexto, alguns profissionais têm solicitado desligamento após encontrarem outras oportunidades de trabalho”, diz a nota.

Segundo a entidade, as vagas vêm sendo cobertas com reorganização de escalas e pagamento de horas extras, sem interrupção do atendimento.

A mesma promessa de janeiro

A possibilidade de a Prefeitura assumir o hospital já foi anunciada antes. Em janeiro, quando o contrato com a gestora anterior estava para acabar, Pavan garantiu que o Município faria isso.

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“E nós vamos assumir o hospital. O Município vai assumir o hospital para preparar uma licitação de uma nova empresa”, declarou.

A Prefeitura não assumiu. A AHBR entrou no hospital à zero hora de 27 de fevereiro, sem período de transição, numa troca que a própria Prefeitura descreveu em prestação de contas como uma transição sem planejamento prévio.

O HCC pertence ao Município desde julho de 2025, quando a Prefeitura pagou R$ 9,6 milhões pelo complexo em um acordo judicial intermediado pelo Ministério Público de Santa Catarina. Na época, Pavan comemorou a compra.

“O hospital agora é seu”, disse o prefeito aos moradores.

Um ano de crise

Desde a compra, o hospital acumulou problemas. Em dezembro de 2025, funcionários protestaram por salários atrasados. Em janeiro, médicos denunciaram ao Ministério Público a falta de soro e de medicamentos de urgência. Em abril, a Promotoria abriu inquérito civil para investigar a contratação e a gestão da unidade. Em agosto, o bebê Murilo, de 45 dias, morreu depois de receber no HCC dez vezes a dose de adrenalina prescrita. A técnica de enfermagem que aplicou o medicamento foi indiciada por homicídio culposo.

Agora, a 20 dias do fim do contrato, a cidade não sabe quem vai cuidar do hospital no dia 26 de outubro. O Jornal Razão questionou a Prefeitura sobre o que será feito e segue acompanhando o caso.

Leia também: Caso Murilo: laudo comprova erro, e técnica de enfermagem é indiciada pela morte de bebê em Camboriú

Leia também: “O hospital agora é seu”: meses após discurso em Camboriú, Prefeitura tenta “lavar as mãos” após morte de bebê

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/saude/hospital-camboriu-pode-fechar-outubro-prefeitura-sem-decisao

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