A mãe do bebê de 1 ano e 6 meses que saiu sozinho de uma creche em Braço do Norte, no Sul de Santa Catarina, contou em entrevista ao EA Notícias que chegou à unidade com o filho no colo gritando para a professora: “Cadê o Léo?”. Nesta terça-feira (29), o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) abriu uma apuração sobre como a criança deixou o Centro de Educação Infantil (CEI) Antônio Volpato sem que ninguém percebesse.
O caso aconteceu na sexta-feira (25). O menino foi deixado na creche por volta das 7h20 e, perto das 8h50, bateu na porta de vidro do escritório onde a mãe trabalha, a cerca de 50 metros dali. A câmera da recepção registrou o momento em que uma funcionária abre a porta e entra com ele no colo.
“Eu levei um choque, porque na mesma semana ele tinha sido mordido no nariz”, contou a mãe. Segundo ela, a mordida sangrou e a família só ficou sabendo à noite, na hora de buscar o menino. “Quando ela me falou que ele tava sozinho, eu entrei em pânico.”
No parque da creche, de acordo com a mãe, estavam duas professoras, a diretora e o guarda. “Ele saiu do parque e ninguém viu”, disse. Ela foi até a porta do escritório, viu que não havia ninguém com o filho e encontrou na mão dele a pazinha de brinquedo.

Com o menino no colo, correu até a creche. “Comecei a gritar com ela: ‘Cadê o Léo?’. E aí foi o apavoro de todo mundo lá na creche quando eles se deram conta que o Léo fugiu e veio até o meu trabalho.”
Na unidade, segundo a mãe, ouviu “desculpa pra cá, desculpa pra lá”: o guarda teria ido fazer outra coisa, a professora teria ido acudir outra criança e outra funcionária disse que, “num piscar de olhos”, o menino saiu. “Foram inúmeras desculpas, mas nenhuma anula o fato.”
Ela procurou a Secretaria de Educação, que fez uma reunião na creche e advertiu os responsáveis pela turma. “Isso não é suficiente pro que aconteceu com meu filho. Eu poderia tá em luto hoje”, afirmou. A mãe registrou boletim de ocorrência, e a Polícia Civil investiga o caso. A Secretaria de Educação e Desporto pediu a abertura de sindicância administrativa.
A 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Braço do Norte instaurou uma notícia de fato para esclarecer se houve falha na supervisão da criança e nos procedimentos de segurança da unidade. O MPSC também vai acompanhar as providências do município e verificar se há responsáveis pelo episódio.
A promotora Luísa Niencheski Calviera requisitou informações à prefeitura, ao CEI e à Polícia Civil, além das imagens das câmeras de videomonitoramento. Uma visita à creche está marcada para 2 de outubro, quando os profissionais serão ouvidos. “O objetivo agora não é antecipar conclusões, mas sim compreender as circunstâncias do fato”, disse a promotora em vídeo divulgado pelo MPSC.
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