O gravador de voz da cabine do helicóptero que caiu com o cantor Rick, da dupla Rick e Renner, e mais quatro pessoas em Urubici, na Serra catarinense, não registrou o voo do acidente. A informação está no reporte preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira, datado de 21 de outubro, um mês depois da queda.
Segundo o documento, o equipamento foi recuperado e teve o conteúdo extraído pelo Cenipa, mas o áudio guardado era de uma intervenção de manutenção feita em data indeterminada. O manual do gravador previa um teste antes do primeiro voo do dia, procedimento que não constava no checklist encontrado na aeronave.
Morreram na queda o cantor Rick, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. O Bell 430 de prefixo PP-MGR bateu na encosta norte do Morro Convento dos Padres, na Serra da Boa Vista, a cerca de 1.686 metros de altitude, pouco mais de cem metros abaixo do topo.
De acordo com o relatório, a programação inicial previa a viagem de Porto Belo para Criciúma, mas a chuva fez a decolagem ser adiada duas vezes. A tripulação consultou aplicativos de previsão do tempo, fez uma chamada de vídeo com o passageiro que aguardava em São Joaquim e decidiu seguir direto para a serra. O helicóptero decolou do Aeródromo Costa Esmeralda às 10h49.
Naquela manhã, os boletins meteorológicos oficiais indicavam frente fria, trovoadas embutidas nas nuvens e obscurecimento de montanha na Serra Geral, conforme o Cenipa. Às 11h32, um morador de Urubici filmou o helicóptero seguindo para o sul e entrando em uma área de nebulosidade. As marcas deixadas nas copas das árvores sugerem que a aeronave vinha em trajetória próxima da horizontal no primeiro contato com a vegetação.
O documento também aponta que o copiloto foi contratado como profissional autônomo apenas para aquele voo, tinha menos de seis horas de voo no modelo e não possuía habilitação para voo por instrumentos. O piloto em comando tinha licença de piloto de linha aérea e era habilitado para voo por instrumentos. A aeronave era certificada para operar com um único piloto, e, segundo relatos, o operador costumava voar com dois. O Cenipa registra que não foram apresentados documentos que comprovassem vínculo formal entre o piloto e o operador.

O transmissor localizador de emergência estava armado e emitia aviso sonoro no local, mas, conforme o Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico (Salvaero), não houve detecção de sinal. O relatório traz ainda relatos de falhas intermitentes nos geradores. Um mecânico confirmou as falhas e disse ter recomendado uma nova pesquisa de pane, o que não havia ocorrido até a data do acidente.
Segundo o Cenipa, nenhuma hipótese está descartada. Motores, telas do painel, GPS e unidades eletrônicas passam por exames para tentar recuperar dados. Celulares, tablets e uma câmera encontrados no local estão sob a guarda da Polícia Científica de Santa Catarina, e o órgão busca com a Garmin registros de um aplicativo de navegação que o piloto pode ter usado.
O relatório final ainda não tem data para ser publicado. A investigação do Cenipa tem como objetivo a prevenção de novos acidentes e não aponta culpa ou responsabilidade.
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