Criminosos quebraram a parede dos fundos da loja Pavei Outdoor, às margens da SC-445, em Içara, no Sul de Santa Catarina, e furtaram cerca de 45 armas de fogo na madrugada deste domingo (30) para segunda-feira (31). O buraco aberto na estrutura, na lateral direita do prédio, deu acesso ao interior do estabelecimento e à sala onde ficava o armamento.
O responsável pelo estabelecimento informou à Polícia Militar que aproximadamente 45 armas foram levadas: 30 entre pistolas e revólveres, 14 armas longas de calibre 12 e um fuzil. A quantidade exata e a identificação de cada peça, disse, só serão confirmadas após o levantamento completo do estoque.
As câmeras de monitoramento registraram a movimentação dos suspeitos por volta das 00h45. Conforme a informação repassada à guarnição no local, o grupo só conseguiu entrar na loja por volta das 2h, mais de uma hora depois de chegar. O horário em que deixaram o prédio não foi informado à PM.
O alarme disparou e a verificação coube ao vigilante da empresa de monitoramento responsável pelo local, que havia assumido o turno às 6h. Ele chegou ao endereço às 6h55 e encontrou a parede dos fundos quebrada. Diante do cenário, pediu à central que acionasse o responsável pela loja.
Por volta das 7h, o responsável foi avisado e se deslocou imediatamente até o estabelecimento. Ao chegar à sala de armas, constatou que diversas armas de fogo haviam sido subtraídas. A Polícia Militar foi acionada e chegou ao endereço às 7h11.
Porta da sala de armas estava fechada só por trava magnética
Durante a verificação, a guarnição constatou que as travas de segurança da porta da sala de armas aparentemente não haviam sido acionadas. A porta estava fechada apenas pelas travas magnéticas. Questionado pelos policiais, o responsável pelo estabelecimento confirmou que a porta vinha sendo mantida fechada somente por esse sistema.
Em nota, a Pavei Outdoor deu outra dimensão ao caso. A empresa afirmou que o armamento estava guardado em sala-cofre, seguindo os procedimentos de segurança aplicáveis ao setor, e que as armas furtadas estavam inativadas, sem condições de utilização como armas de fogo. A companhia informou ainda que todos os produtos que comercializa são controlados e têm número de série registrado.
Segundo a nota, as autoridades foram acionadas assim que o furto foi identificado, o sistema de segurança da loja registrou informações relevantes sobre a ocorrência e esses dados já foram compartilhados com a polícia. A empresa disse que colabora integralmente com a investigação e que está adotando medidas adicionais para reforçar a segurança do estabelecimento.
Polícia Civil instaura inquérito e decreta sigilo
A Polícia Civil informou que os fatos relacionados ao furto estão sob intensa investigação e que o inquérito policial já foi instaurado. A corporação reforçou que a apuração corre sob sigilo, medida que, segundo o órgão, busca preservar informações consideradas importantes para o trabalho dos investigadores e evitar que dados ainda não confirmados prejudiquem as próximas etapas.
A instituição acrescentou que novas informações serão repassadas à imprensa e à população conforme o avanço das investigações permitir, e orientou que dados não confirmados pelas autoridades sejam tratados com cautela, uma vez que a especulação pode atrapalhar a apuração.
Pelo volume e pela natureza do material levado, a Polícia Civil e a Polícia Científica foram acionadas ainda pela manhã e trabalharam no local. A Polícia Militar não teve acesso às imagens do circuito interno: quando o atendimento militar ainda estava em curso, a Polícia Civil já se encontrava no endereço, e a análise do sistema de monitoramento ficou a cargo da investigação.
A Pavei atua no ramo desde janeiro de 1986, quando começou em Içara com uma loja de artigos para caça, pesca e apicultura, e hoje se apresenta como uma das principais fornecedoras de armas e munições do Brasil, com a loja instalada às margens da SC-445. O braço de distribuição da empresa atende lojistas de todo o país e mantém endereço no Centro do município.
O Estado já viu um caso de proporção parecida terminar com o arsenal de volta. Em junho de 2022, mais de cem armas de fogo e 3 mil munições furtadas de uma loja de armamentos foram recuperadas três dias depois pela Polícia Civil em uma casa no bairro João Costa, em Joinville, com uma pessoa presa em flagrante. As diligências daquele caso passaram por Gravatal, Içara, Morro da Fumaça e Bom Jardim da Serra.
O rastreamento das armas depende do levantamento de estoque da loja, que deve apontar o número exato de peças levadas e os registros de cada uma delas. Até o momento, não há informação oficial sobre prisões ou recuperação do armamento.














