A advogada Fabiana Matzenbacher, que cuidava da separação de Daiana Gisele Müller, de 38 anos, disse que a cliente fez tudo o que a lei prevê antes de ser morta no interior de Ipira, no Meio-Oeste de Santa Catarina. Daiana registrou boletim de ocorrência, teve acolhimento na delegacia, recebeu orientação jurídica e conseguiu medida protetiva contra o ex-companheiro. Mesmo assim, foi morta.
As declarações foram dadas em entrevista à Capinzal FM nesta quarta-feira (21). “Ela pediu a medida protetiva, que foi prontamente deferida”, disse Fabiana. “Ainda assim ela foi vitimada, brutalmente vitimada.”
O escritório acompanhava Daiana desde maio, quando ela decidiu se separar. Ela era mãe de dois filhos, de 13 e 8 anos, cuidava da avó, de mais de 80 anos, e trabalhava numa propriedade rural com cerca de 30 animais, entre eles vacas de leite.
No último contato com o escritório, Daiana relatou que a medida protetiva estava sendo descumprida e foi orientada a denunciar na delegacia. Segundo a advogada, ela queria fazer a denúncia quando os filhos não estivessem em casa, para que eles não vissem o pai sendo preso. “Pouco sabia Daiana, que poucas horas depois, os seus filhos, ao chegarem da escola, se deparariam com o corpo da mãe morto”, disse Fabiana. O escritório não sabe se ela conseguiu registrar o descumprimento a tempo.

Para a advogada, o caso mostra a diferença entre “uma mulher juridicamente protegida e uma mulher efetivamente segura”. Ainda na entrevista à Capinzal FM, ela citou que mais de 26% das medidas protetivas concedidas em Santa Catarina são descumpridas. “Nós temos quase 30% de homens que realmente não têm medo da lei”, afirmou. “Não há o que impeça a decisão de alguém matar alguém.”
A advogada Daiane Arnuti, do mesmo escritório, falava com Daiana todos os dias. “Ela seguiu todos os caminhos legais, toda a questão jurídica, todo esse amparo da delegacia, o acolhimento, ela teve. Nós falhamos enquanto sociedade”, disse.

Lorinei Morais, de 37 anos, parou uma Nissan Frontier branca na porta do grupamento da PMSC em Presidente Castello Branco, na manhã de terça-feira (20), e disse aos policiais que tinha matado a esposa. Ele foi preso em flagrante, levado à Delegacia de Polícia de Concórdia e ficou em silêncio. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio.

Fonte: entrevista da advogada Fabiana Matzenbacher à Capinzal FM.
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