“O agro não é fascista. E não deve ficar de joelhos para presidente nenhum.” Foi assim que o deputado federal Rafael Pezenti (MDB), de Santa Catarina, apresentou nesta quarta-feira (21) o vídeo em que responde aos ataques do presidente Lula (PT) ao produtor rural.
No dia 19 de setembro, num ato de campanha na praça Tancredo Neves, em Florianópolis, ao lado do candidato a governador Gelson Merísio (PSB), Lula disse que, se dependesse do dinheiro do governo, o agronegócio “deveria não só votar, mas se ajoelhar” para ele. “Porque nunca houve tanto dinheiro para a agricultura como agora”, afirmou o presidente, em vídeo publicado pelo Poder360.
No mesmo discurso, Lula sugeriu que Merísio fizesse uma reunião com o pessoal do agronegócio para perguntar “por que é que eles não gostam de nós”. E deu a própria resposta: “Acho que é uma questão de pele. É porque eu sou nordestino ou porque eu sou pobre”.
Não foi a primeira vez que o petista atacou o setor. Em agosto de 2022, na entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, Lula falou do “agronegócio, que é fascista e direitista”. Em seguida, disse que os empresários sérios do setor, que exportam para a Europa e para a China, não querem desmatar, mas que existe “um monte que quer”.

Os números do deputado
No vídeo, gravado ao lado de um curral, Pezenti conta que tem encontrado produtores que ainda querem votar no PT por acharem que Lula “olha pro pequeno agricultor”. E responde com números. Segundo o deputado, o Pronaf Mais Alimentos cobra hoje juros de até 7,5% ao ano. No governo Bolsonaro, a taxa partia de menos de 1% e chegava a no máximo 4,5%.
“Em que governo que você, produtor, fez dinheiro? Em que governo que você vendeu soja a 200 conto a saca? Milho a cem?”, pergunta Pezenti, que também lembra o leite vendido a R$ 3,80 o litro. “Existe um perau de diferença entre o discurso de defender o pequeno produtor e a prática.”
Deputado de primeiro mandato, Pezenti diz que teve “o azar de pegar o PT na Presidência da República” e lista o que encontrou: a maior crise da história do setor leiteiro, produtor recebendo boleto em casa por causa do calote na subvenção do seguro rural, o fim do Proagro, uma medida provisória para renegociar dívidas que, segundo ele, nenhum produtor conseguiu acessar, e o Plano Safra com a maior taxa de juros da história.
A lista segue com o veto ao PL dos safristas, a tentativa de proibir o cultivo da tilápia, a portaria que inviabilizaria a produção de morango, a mudança no calendário de plantio que barra a soja safrinha, a comitiva do governo federal pelo mundo contra a produção de tabaco, a importação de tilápia, alho, banana e cebola, a fiscalização do Ministério do Trabalho, a burocracia no controle do javali, a tentativa de proibir o glifosato e as multas e embargos por satélite.
Santa Catarina no centro da disputa
No próprio discurso em Florianópolis, Lula reconheceu o peso do campo catarinense. Citou as cooperativas, a integração entre empresas e criadores de suínos e de frango, e disse que Santa Catarina responde por 30% do mercado brasileiro de suínos.
“Será mesmo que o Lula tá ao lado do pequeno produtor?”, pergunta Pezenti no fim do vídeo. O segundo turno da eleição presidencial, entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), será no domingo (25).
Fonte: vídeo do Poder360.
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