O jornalista Osmar Teixeira, da TVBE e do Jornal Razão, conversou com o delegado Roney Péricles, que revelou novos detalhes sobre a prisão de Anderson Burigo, de 23 anos, suspeito de assassinar a adolescente Maria Gabriela Nunes, de 14 anos. Segundo o delegado, o crime teria sido motivado pelo fim do relacionamento, que Anderson não aceitava.
Prisão após fuga para área de mata
De acordo com o delegado, assim que o corpo da vítima foi encontrado, as investigações apontaram que Anderson havia fugido para uma área de mata. Relatos de vizinhos confirmaram essa informação. No entanto, ele retornou para um abrigo próximo à casa dos pais.
“Quando tivemos o mandado de prisão temporária em mãos, já sabíamos que ele havia saído do abrigo e voltado para a casa dos pais, onde ele acabou sendo localizado e preso”, explicou Péricles.
O delegado também destacou que Anderson recebeu apoio de algumas pessoas da comunidade, mas a revolta geral dificultou sua movimentação, levando-o a retornar à residência familiar, onde foi capturado.
Comportamento frio e contradições nos depoimentos
Durante os depoimentos, o suspeito manteve a tranquilidade, sem demonstrar arrependimento ou inquietação, mesmo após o desaparecimento de Maria Gabriela. “Na primeira conversa que tivemos com ele, ainda na quinta-feira, Anderson afirmou que teria deixado a vítima em casa por volta das 21h45, mas essa versão foi contestada pelos familiares e vizinhos”, relatou o delegado.
Um detalhe relevante é que o carro do suspeito, conhecido pelo barulho característico devido a problemas no escapamento, não foi ouvido na região no horário indicado por Anderson, reforçando a contradição.
Perícia no veículo e vestígios biológicos
A Polícia Civil solicitou à Polícia Científica uma perícia detalhada no veículo de Anderson para verificar vestígios biológicos. As análises laboratoriais ainda estão em andamento. Em relação às perfurações encontradas no corpo da vítima, Péricles revelou que foram múltiplas, principalmente na região do pescoço, indicando um crime motivado por ódio.
“A perícia constatou ferimentos na parte posterior e lateral do pescoço, sugerindo um ataque intenso e deliberado, típico de crimes passionais”, afirmou o delegado.
Relacionamento marcado por controle e agressões
A mãe de Maria Gabriela confirmou que a adolescente havia manifestado o desejo de terminar o relacionamento devido ao comportamento possessivo de Anderson. O próprio suspeito, durante o interrogatório após a prisão, admitiu ser ciumento e controlador.
“Ele mesmo relatou episódios de agressão e abordagens hostis contra amigos da vítima, movido pelo ciúme excessivo”, disse Péricles.
Arma do crime e descarte do corpo
A arma utilizada na execução ainda não foi localizada. As buscas indicam que a faca pode ter sido descartada junto ao corpo da vítima. O delegado também revelou que tudo indica que o corpo foi jogado no rio Itajaí Mirim, devido à proximidade do bairro Brilhante, facilitando o descarte.
Suspeito nega crime e investigação continua
Apesar das evidências, Anderson nega o crime. “Estamos analisando imagens, colhendo depoimentos e cruzando informações. Ele diz ter deixado a vítima em casa, mas familiares afirmam tê-lo visto sozinho em um local diferente e em horário anterior ao que ele mencionou”, detalhou Péricles.
A investigação segue em andamento, com a prisão temporária do suspeito válida por 30 dias, prazo necessário para reunir mais provas e concluir o inquérito. A participação de terceiros, embora não confirmada, também não está descartada.
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