Os policiais da Delegacia de Investigação Criminal entraram no quarto do hospital de Brusque onde um paciente em estado grave estava internado e encontraram, ao lado da cama, a mulher que se apresentava como acompanhante do doente. Era ela o alvo do mandado de prisão preventiva que a equipe levava na mão. Irmã do paciente, ela é suspeita de tentar matar o próprio familiar dentro da unidade de saúde, enquanto dizia estar cuidando dele.
A prisão foi cumprida na tarde desta terça-feira, 18. A mulher, de 50 anos, teve a preventiva decretada pela Vara Criminal da Comarca de Brusque no curso de uma investigação sobre tentativa de homicídio registrada no dia 7 de agosto. O nome da instituição hospitalar não foi divulgado pela Polícia Civil.
“É um caso bem complexo, a investigação ainda está em andamento”, afirmou o delegado responsável pelo caso. Segundo ele, a medida foi pedida com um objetivo específico, preservar as condições físicas e a própria vida da vítima, um homem um pouco mais velho que a investigada, internado em estado grave e sem qualquer autonomia.
Ele não tem condição alguma de se defender de qualquer tipo de ataque.
ASSISTA AO VÍDEO

Denúncia partiu do hospital
O caso chegou à polícia por uma denúncia formalizada pelo próprio hospital. Funcionários passaram a desconfiar do comportamento da acompanhante e relataram que o paciente estaria sendo alvo de manobras que colocavam a vida dele em risco. Depois disso, outra parente da vítima procurou a polícia e registrou uma segunda denúncia, no Paraná, onde mora. Foi a partir desses dois registros que a investigação começou.
Aparelhos e traqueostomia
Conforme o apurado até agora, a mulher teria mexido nos equipamentos que mantinham o irmão vivo, chegado a retirar a traqueostomia do paciente e injetado uma substância no soro dele. Há ainda relatos de que teria ministrado um líquido diretamente na boca do homem. Todos os procedimentos teriam sido feitos à revelia da equipe médica, que não prescreveu nem autorizou nenhum deles.
Durante a apuração, a polícia ouviu enfermeiros e acompanhantes de outros pacientes que dividiam o quarto e presenciaram parte dessas situações. Foram esses depoimentos que sustentaram o pedido de prisão preventiva apresentado à Justiça.
O que foi apreendido
No quarto, os policiais apreenderam um celular, tesouras, medicamentos e materiais de uso hospitalar que estavam entre os pertences da investigada. O item de maior interesse foi um frasco com uma substância ainda não identificada, encaminhado à Polícia Científica. É esse conteúdo que a polícia quer confrontar com os relatos de que o paciente teria recebido algo por via oral sem autorização.
Em seguida, a equipe vistoriou o carro usado pela mulher, estacionado nas dependências do hospital. Nenhum outro material de interesse para a investigação foi localizado no veículo.
A versão da investigada
Ouvida, ela admitiu ter realizado alguns procedimentos, mas apresentou outra explicação. Alegou que teria autorização da equipe médica e afirmou que agiu para aliviar dores e desconfortos do irmão. Para a polícia, no entanto, foi justamente essa conduta que colocou a vida do paciente em risco no momento em que foi praticada.
A mulher não resistiu à abordagem. “No início até ficou um pouco nervosa, mas depois se acalmou e conseguiu prestar o depoimento de maneira adequada”, relatou o delegado. Ela foi conduzida à sede da DIC de Brusque, passou pelos procedimentos de praxe e permaneceu à disposição do Poder Judiciário.
O irmão segue internado. “A investigação permanece em andamento e busca esclarecer integralmente as circunstâncias da tentativa de homicídio, bem como reunir os elementos necessários para a responsabilização dos envolvidos”, informou a Polícia Civil em nota.





































