Pouco mais de um mês após deixar a cadeia, um homem de 27 anos acabou executado a tiros ao parar o carro em Chapecó, no Oeste catarinense, para “dar um raio”. Quem revelou os detalhes do homicídio foi uma mulher de 30 anos, que estava no banco do passageiro, levou um disparo na perna e sobreviveu ao ataque.
O crime aconteceu por volta das 23h30 de domingo (23), na Rua Madre Paulina, no bairro Efapi. Segundo a Polícia Militar, dois homens em uma motocicleta pararam ao lado do veículo, efetuaram os disparos e fugiram. O motorista morreu ainda no local. A mulher foi encaminhada para atendimento médico e não corre risco de morte.
O que ela contou
Foi o relato da sobrevivente que montou, minuto a minuto, a sequência que terminou em sangue. Ela disse aos policiais que conhecia o homem havia cerca de 15 dias e que os dois saíram juntos naquele domingo. Beberam ao longo da noite.
Em determinado momento, ele parou o carro em frente a uma residência e desceu para comprar cocaína. Ela ficou do lado de fora e, da rua, ouviu gritos de desentendimento vindos de dentro do imóvel. Conforme afirmou, além do dono da casa havia ali outro homem, apontado por ela como desafeto dele.
A motivação seria ciúmes. Ainda segundo o relato, a vítima teria se envolvido com uma ex-namorada do suspeito. A versão será apurada pela Polícia Civil ao longo da investigação.
“Ia dar um raio”
Ele voltou ao carro com a droga e seguiu dirigindo. Poucos quarteirões depois, encostou o veículo na Rua Madre Paulina e disse que ia “dar um raio”. Não completou o que pretendia fazer.
A motocicleta chegou colada na porta do motorista. O garupa levantou a arma e atirou três vezes. Dois tiros atingiram o homem, que morreu sentado ao volante. O terceiro pegou na coxa da mulher, que ficou caída na calçada, consciente, até a chegada do socorro.
Nenhuma cápsula ficou no asfalto, indício compatível com o uso de revólver. Um morador da região relatou ter ouvido exatamente três estampidos e ter saído de casa para ver o que era, sem conseguir identificar de onde partiram os disparos. Uma câmera de segurança instalada nas proximidades registrou toda a dinâmica: a moto conduzida por dois homens, a aproximação e os tiros partindo da garupa.
Suspeito identificado e foragido
A Polícia Militar identificou um homem de 31 anos, catarinense, como autor dos disparos. Ele não havia sido localizado até o registro da ocorrência. Conforme a corporação, o suspeito acumula passagens por tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma de fogo, resistência e desacato.
A mulher baleada também tinha droga consigo. Ela portava uma bucha de cocaína no bolso, entregue à guarnição e repassada em mãos à Polícia Civil.
Trinta e sete dias de liberdade
A vítima era ex-presidiária. O processo de execução penal dela, público e em tramitação na Justiça de Santa Catarina desde janeiro de 2019, mostra que o alvará de soltura foi expedido em 16 de julho, no mesmo dia em que a Justiça cadastrou um incidente de fixação e alteração de regime. A saída foi efetivada no dia seguinte, 17 de julho. No dia 18, saiu um mandado de medidas diversas da prisão, ou seja, a liberdade veio com obrigações fixadas pelo juiz. Em 23 de julho, o processo migrou para a competência de meio aberto.
De 17 de julho, quando deixou o presídio, a 23 de agosto, quando morreu, foram 37 dias. Ele acumulava registros policiais como autor de roubo, receptação, furto, adulteração de veículo, ameaça, lesão corporal, disparo de arma de fogo, tentativa de homicídio e coação no curso do processo.
A área foi isolada pela guarnição, e a Polícia Científica e a Polícia Civil foram acionadas e estiveram no local. A investigação segue a cargo da Polícia Civil, que deve apurar a autoria, a participação do condutor da motocicleta e confirmar a motivação. O suspeito continua foragido.






































