O feminicídio que abalou Maravilha (SC) na noite desta quarta-feira (13) ganhou novos contornos com o relato detalhado de uma das principais testemunhas: o comerciante Ivandro Zanella, proprietário da loja onde o crime aconteceu. A vítima, Andréia, professora e amiga próxima de Ivandro e sua esposa, foi morta a tiros pelo ex-companheiro em um ataque rápido, frio e sem qualquer aviso.
Segundo o comerciante, Andréia chegou à loja por volta das 17h15, como fazia com frequência. Ela estava animada, vivendo um momento de recomeço após a separação e montando um apartamento novo. “Ela veio mostrar uma roupa que comprou para a minha esposa. Ontem mesmo esteve aqui, tomou chimarrão, conversou, falou das compras dos móveis. Estava feliz da vida”, relembrou.
Minutos depois, o ex-companheiro entrou no estabelecimento. Ivandro notou algo estranho desde o primeiro instante. “Ele entrou e não me cumprimentou. Estava com a mão dentro do casaco e, na hora que chegou, já foi atirando nela. Foram dois ou três tiros. Ela caiu atrás do balcão. Eu e minha esposa conseguimos correr para fora”, contou, visivelmente abalado.
O comerciante afirmou que o autor não aceitava o fim do relacionamento e vinha perseguindo Andréia constantemente. “Seguia ela praticamente 24 horas. Onde ela estava, ele aparecia. Hoje ela estava aqui há uns 40 minutos, tranquila, e ele chegou sem dizer nada, foi direto nela. Foi a queima-roupa”, disse.
Ivandro também destacou que, apesar das tentativas de alertar o homem para evitar conflitos, o clima de tensão já era conhecido. “Eu sempre dizia: não faça fiasco, se for fazer, que seja longe daqui. A gente percebia que esse fim não ia acabar bem”, revelou.
Após o crime, o autor atirou contra a própria cabeça e foi socorrido em estado gravíssimo. A Polícia Militar isolou o local e a Polícia Civil iniciou as investigações, tratando o caso como feminicídio.
Para o comerciante, a perda é irreparável. “É tristeza. Não caiu a ficha ainda. Era mais que cliente, era amiga, comadre. Uma pessoa trabalhadora, querida por todos. Agora é tentar superar o trauma de ver isso acontecer dentro do meu comércio”, desabafou.
O caso reforça a importância de buscar ajuda e denunciar casos de violência doméstica, perseguição e ameaças. Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública, feminicídios têm aumentado em Santa Catarina, e a maioria dos autores é formada por companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
Andréia, segundo amigos, era reconhecida pela dedicação à educação e pela alegria em recomeçar a vida. O destino foi interrompido por um ato de violência que agora comove e revolta toda a cidade.



























