A investigação da Polícia Civil concluiu que o homem morto a tiros em Chapecó no dia 29 de maio foi perseguido por cerca de uma hora antes do crime. A vítima, Clair dos Santos, de 42 anos, foi atingida por disparos efetuados por um empresário que, segundo os investigadores, suspeitava que ele tivesse furtado um perfume e um desodorante de uma farmácia no bairro Santo Antônio.
De acordo com o inquérito, a suspeita de furto nunca foi confirmada pelas autoridades. Mesmo assim, o empresário teria saído à procura de Clair utilizando um veículo Peugeot. Durante a perseguição, ele teria tentado atropelar a vítima em diferentes momentos, chegando a subir na calçada e danificar o próprio carro. Ainda conforme a Polícia Civil, mesmo após um dos pneus do veículo furar, o suspeito continuou a perseguição.
A ação terminou em uma área de campo utilizada pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Conforme a investigação, Clair tentou escapar correndo, mas foi alcançado pelo empresário. No local, o suspeito desceu do carro e efetuou quatro disparos. Dois tiros atingiram a vítima pelas costas.
Uma testemunha relatou à Polícia Civil que presenciou toda a ocorrência. Segundo o depoimento, após atirar, o autor teria pedido para não ser denunciado e afirmado que havia matado “um ladrão”.
O laudo pericial apontou que Clair morreu em decorrência de choque hipovolêmico intenso provocado pelos ferimentos. Os disparos atingiram órgãos vitais, incluindo o coração. Conforme a perícia, os projéteis entraram pelas costas e saíram pela região do tórax. Os peritos também constataram que os ferimentos apresentavam ângulo semelhante e estavam muito próximos entre si, o que, para os investigadores, reforça a hipótese de disparos realizados a curta distância.
Em depoimento, o empresário afirmou que procurava o homem que acreditava ser responsável pelo suposto furto. Segundo ele, a intenção era localizar o suspeito e levá-lo até a delegacia. A Polícia Civil destacou, no entanto, que nenhuma força de segurança foi acionada durante toda a ocorrência.
A proprietária da farmácia também foi ouvida. Ela informou que não pretendia registrar boletim de ocorrência devido ao baixo valor dos objetos levados. O caso só passou a ser formalmente investigado após a polícia tomar conhecimento dos fatos.
Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil descartou a hipótese de legítima defesa. Para os investigadores, as provas reunidas apontam para uma execução motivada por uma suspeita não confirmada de furto, sem qualquer justificativa legal para a ação.
Durante as diligências, o empresário entregou aos policiais o revólver calibre 38 utilizado no crime. A arma estava sem registro e, segundo a investigação, era mantida irregularmente havia vários anos.
O suspeito foi indiciado por homicídio qualificado e posse irregular de arma de fogo. Após ser interrogado, ele foi encaminhado ao complexo prisional, onde permanece à disposição da Justiça enquanto aguarda a conclusão formal do procedimento e eventual análise sobre a conversão da prisão em preventiva.
Em nota, a defesa afirmou que o caso deve ser analisado dentro de um contexto mais amplo e que circunstâncias anteriores ao crime serão apresentadas ao longo do processo. Os advogados destacaram que o empresário não possui antecedentes criminais, é conhecido na comunidade, pai de família e trabalhador. A defesa também alegou que a família vivia há meses uma situação de insegurança e temor, afirmando confiar no trabalho das autoridades para o esclarecimento dos fatos durante a tramitação judicial.
Fonte: OESTE MAIS



























