A porta da casa do bairro Fábio Silva, em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, voltou a ser aberta, agora diante de uma câmera. Imagens gravadas no interior do imóvel mostram o cômodo onde, na manhã de domingo (16), uma mulher de 29 anos foi encontrada morta sobre o sofá, com fios de carregador de celular em contato com a região do pescoço.
Uma equipe de reportagem esteve na residência e registrou o ambiente que, horas antes, tinha sido isolado pela Polícia Militar para preservar vestígios. É o mesmo espaço descrito no relatório da corporação: a sala onde a vítima foi localizada e o tapete sobre o qual foram observadas manchas de sangue.
Essas manchas são hoje um dos pontos mais sensíveis da apuração. A Polícia Militar registrou que a origem e a dinâmica delas ainda não foram determinadas, e que o material pode ser da própria vítima ou de um eventual agressor. Se a segunda hipótese se confirmar nos exames, o vestígio deixa de ser apenas cenário e passa a ser prova capaz de apontar quem esteve na casa durante a madrugada.
O imóvel foi periciado antes de qualquer circulação. A guarnição restringiu o acesso à área de interesse pericial para evitar alteração ou contaminação dos vestígios, e a Polícia Científica foi acionada pela Polícia Civil para os exames periciais e médico-legais.
O que a casa ainda guarda
A leitura da cena é o que sustenta, por enquanto, o enquadramento do caso como feminicídio. Segundo a Polícia Militar, as circunstâncias encontradas no local, somadas aos vestígios preliminares, indicam morte decorrente de ação violenta. A suspeita inicial recai sobre alguém que possivelmente mantinha relacionamento afetivo ou vínculo íntimo com a vítima, mas a corporação reforça que autoria e motivação seguem sem esclarecimento.
O celular da vítima foi apreendido e entregue ao plantão da Polícia Civil. O aparelho deve ajudar a reconstruir as horas anteriores à morte, com mensagens, chamadas e registros de deslocamento que podem confirmar ou derrubar versões que apareçam ao longo do inquérito.
Até o momento, ninguém foi preso e o suspeito não foi identificado. A única descrição disponível veio da filha mais velha da vítima, de sete anos, que em contato breve com os policiais relatou que o fato teria ocorrido por volta das 3h e mencionou que o possível autor seria um homem com tatuagens no rosto.
Entenda o caso
A Polícia Militar foi acionada às 10h50 de domingo (16) para o atendimento de encontro de pessoa morta em uma residência do bairro Fábio Silva, em Criciúma. Dentro da casa, sobre o sofá, estava uma mulher de 29 anos, com sinais aparentes compatíveis com estrangulamento. Leia aqui os detalhes da ocorrência.
Quando a guarnição chegou, as duas crianças que moravam no imóvel, um bebê de quatro meses e uma menina de sete anos, já estavam com os vizinhos. As duas foram entregues aos cuidados do Conselho Tutelar de Criciúma e, depois das providências cabíveis, deixadas sob a responsabilidade da avó materna, que ficou com o acompanhamento delas.
A Polícia Civil segue responsável pela investigação da autoria e da motivação. Denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas pelo Ligue 180, de forma anônima e gratuita, e emergências devem ser comunicadas ao 190.



























