Casas erguidas irregularmente sobre as dunas da comunidade do Siri, no bairro Ingleses, no Norte da Ilha, foram demolidas na manhã desta quinta-feira (29), em Florianópolis. A ação integrou uma operação conjunta do poder público municipal, com apoio das forças de segurança, para coibir novas ocupações em Área de Preservação Permanente.
Máquinas chegaram ao local nas primeiras horas do dia. As demolições ocorreram em meio a forte presença policial, com viaturas e equipes posicionadas nas vias de acesso à comunidade. Moradores registraram a movimentação e relataram clima de tensão durante a operação.
Segundo a Prefeitura de Florianópolis, cerca de sete construções foram derrubadas. Conforme o município, os imóveis não estavam habitados e haviam sido levantados de forma irregular sobre as dunas, área protegida por legislação ambiental. A administração afirma que a ação tem respaldo legal e faz parte de uma força-tarefa permanente para impedir novas invasões em áreas ambientalmente sensíveis.
Moradores, no entanto, contestam essa versão. Conforme relatos colhidos no local, algumas das casas estariam sendo usadas como moradia, e famílias teriam sido obrigadas a deixar os imóveis às pressas. Uma moradora, que pediu para não ser identificada, afirmou que o avanço da operação gerou medo entre os residentes. Segundo ela, houve uso de spray de pimenta durante a circulação das equipes pela comunidade.
Durante a ação, moradores teriam espalhado objetos conhecidos como “miguelitos” nas vias de acesso à comunidade, com o objetivo de furar pneus de viaturas e dificultar o avanço das equipes responsáveis pelas demolições. A informação foi relatada por testemunhas e aparece em vídeos gravados no local. A polícia apura a autoria e as circunstâncias do ocorrido.
Além das demolições, moradores também relataram interrupções no fornecimento de energia elétrica durante a operação. Até o momento, essa informação não foi confirmada oficialmente.
Outro ponto de divergência envolve o aviso prévio. Moradores afirmam que não receberam notificação antes da chegada das equipes. A prefeitura sustenta que, por se tratarem de edificações em Área de Preservação Permanente e consideradas desocupadas, a legislação permite a demolição imediata, sem necessidade de comunicação prévia.
A Polícia Militar de Santa Catarina acompanhou toda a operação para garantir a segurança das equipes técnicas e manter a ordem no local. Conforme o padrão adotado em ações desse tipo, a atuação da PMSC teve como foco prevenir confrontos, proteger servidores públicos e assegurar que a operação transcorresse sem registros de violência grave.
A prefeitura informou que a área seguirá sendo monitorada para evitar novas ocupações irregulares e reforçou que construções sobre dunas e áreas ambientais protegidas são proibidas por lei. O caso segue gerando debate entre moradores e poder público, especialmente sobre políticas habitacionais e a situação de famílias que vivem em áreas consideradas irregulares.



























