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Pacientes acusam psicanalista de abuso em sessões que começavam com abraço de 15 minutos em SC

Amarildo Stecanela, de 60 anos, é investigado por violação sexual mediante fraude e importunação sexual em Araranguá; Justiça proibiu qualquer atendimento

Mulheres relatam abuso sexual em sessões de terapia e polícia lacra consultório de psicanalista em SC
Foto: Reprodução
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Mulheres que procuraram terapia em um consultório no Centro de Araranguá, no Sul de Santa Catarina, relataram à Polícia Civil abraços prolongados, toques e perguntas sobre a vida sexual durante as sessões. Nesta terça-feira (6), a Justiça mandou lacrar o local e proibiu o psicanalista Amarildo Stecanela Oliveira, de 60 anos, de fazer qualquer atendimento.

Ele é investigado por violação sexual mediante fraude e importunação sexual. A medida foi cumprida por policiais da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) de Araranguá, com o acompanhamento de uma oficial de justiça. As portas da sala receberam fita de isolamento e avisos de interdição.

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A decisão, da Vara Regional de Garantias da Comarca de Criciúma, suspende qualquer atividade de psicanalista, terapeuta ou atendimento individual de natureza terapêutica ou psicológica, presencial ou pela internet. Também fica proibido divulgar e oferecer os serviços.

O que dizem os relatos

O Jornal Razão teve acesso a relatos feitos à polícia. Eles descrevem um roteiro parecido: pacientes em momentos de fragilidade, como depressão e crise no casamento, ouviam que o abraço fazia parte do tratamento.

Uma mulher, que começou as sessões em 2023, contou que os abraços duravam cerca de 15 minutos e que o psicanalista dizia que a cura vinha através do “toque, do carinho”. Segundo ela, ele perguntava sobre as relações sexuais com o marido. Ela afirma que, em uma sessão, um abraço terminou em relação sexual, que ficou sem reação e que ele ainda pediu fotos dela nua para ver se estava evoluindo no tratamento.

Ainda segundo o relato, quando o marido cobrou explicações, o psicanalista respondeu em áudio, em tom de ameaça, que as coisas iriam piorar se o casal procurasse a Justiça.

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Outra paciente, que buscou atendimento durante uma depressão, disse que ouvia elogios constantes à aparência, que ele pedia abraços no fim das consultas e que, na última, passou a mão nas nádegas dela. Uma terceira relatou que, em cerca de quatro sessões, ele pediu abraços, passou as mãos nas costas dela por baixo da blusa e sugeriu consultas à noite para que pudessem tomar um café.

Um homem que foi paciente por um ano e meio também procurou a polícia. Ele relatou ataques à autoestima durante as sessões e disse que uma amiga, que ele indicou ao consultório, recebeu convites para sair.

Psicanalista não foi encontrado

Amarildo não estava no consultório quando os policiais chegaram, nesta terça-feira. A defesa informou que ele está viajando, em Foz do Iguaçu (PR), e que já tem conhecimento da decisão. As demais determinações da Justiça seguem pendentes de cumprimento, segundo a Polícia Civil. Procurado pelo Jornal Razão, ele respondeu: “Meu advogado está vendo tudo isto e as providências estão sendo tomadas”.

Nas redes sociais, ele se apresenta como doutor e psicanalista, com “15 anos de experiência”.

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A investigação continua. A Polícia Civil pede que outras pessoas que tenham passado por situações parecidas procurem a DPCAMI de Araranguá ou a delegacia mais próxima.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/seguranca/mulheres-relatam-abuso-sexual-sessoes-terapia-policia-lacra-consultorio-psicanalista-ararangua

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