Na noite da última segunda-feira (12), policiais militares de Santa Catarina realizaram uma operação para conter o que foi descrito como uma mais uma “invasão” de moradores de rua no Centro de Florianópolis. A ação, registrada em vídeo e amplamente divulgada nas redes sociais, provocou uma forte reação, especialmente entre políticos ligados à esquerda e defensores dos direitos humanos.
O vídeo compartilhado pelo vereador Afrânio Boppré (PSOL), com participação do controverso padre Júlio Renato Lancellotti, acusa policiais militares de suposta violência contra pessoas em situação de rua. Afrânio classificou as ações policiais como “violentas, cruéis e covardes”, levantando dúvidas sobre uma possível orientação institucional por parte da PM.
Contudo, o contexto das ações policiais vai além do que foi apresentado pelo parlamentar e por setores críticos da corporação. Nas últimas semanas, diversos casos graves envolvendo moradores de rua vêm assustando os catarinenses e colocando em cheque a segurança pública das cidades.
Um dos episódios recentes mais alarmantes ocorreu em Florianópolis, onde moradores de rua teriam sido envolvidos em agressões violentas entre si. Em outro caso, divulgado amplamente nas redes sociais, traficantes atacaram brutalmente um morador de rua no Centro da capital, evidenciando um cenário de violência extrema nas ruas da cidade. Noutro caso gravíssimo, um andarilho assassinou um jovem, também na Capital Catarinense.
Diante desse quadro preocupante, a Polícia Militar reforçou a presença nas ruas e intensificou abordagens em locais conhecidos por abrigar grupos envolvidos com criminalidade ou drogas. Para muitos moradores da cidade, a presença ostensiva da PM significa um alívio diante da crescente insegurança.
O deputado estadual Jessé Lopes (PL) saiu em defesa da polícia em suas redes sociais e criticou duramente a postura do vereador Leonel Camasão (PSOL) e de uma parcela da mídia catarinense, representada principalmente por um único veículo. “Florianópolis está refém de militantes travestidos de jornalistas e vereadores que jogam contra o interesse da maioria da população”, afirmou Lopes, lembrando que a PM “faz seu trabalho enfrentando gente armada e violenta que transforma espaços públicos em zonas de medo.”
Entre as críticas recebidas pela corporação, destaca-se o posicionamento do vereador Camasão, que classificou policiais militares como “criminosos de farda”, acusando-os de agir covardemente contra pessoas vulneráveis. O vereador enfatizou a necessidade de câmeras corporais para coibir ações consideradas abusivas.
Por outro lado, policiais catarinenses ouvidos sobre o caso argumentam que a realidade enfrentada diariamente nas ruas é ignorada por quem está longe da rotina de patrulhamento. “É muito fácil julgar sentando na cadeira em lugares confortáveis. Quando essas pessoas começam a causar danos e ameaçar moradores e comerciantes, somos nós que precisamos agir”, afirmou um policial ouvido anonimamente.
Em meio a essa tensão, a Prefeitura de Florianópolis destacou em nota recente que agentes frequentemente encontram moradores de rua portando armas e facas, além de registrar um aumento no uso de drogas entre essa população, que estaria mais agressiva. Incêndios criminosos também já foram atribuídos a esses grupos, segundo autoridades locais.
Outro ponto levantado pela prefeitura e corroborado por populares é que as abordagens policiais são necessárias para impedir que situações como essas se agravem ainda mais. A ideia, afirmam defensores da atuação policial, não é excluir a assistência social, mas garantir segurança enquanto se buscam soluções sociais efetivas, como as que vêm sendo testadas com sucesso em Chapecó por meio do programa “Mão Amiga”, uma iniciativa difundida pelo Prefeito João Rodrigues (PSD).
Enquanto o Ministério Público abre investigações para apurar possíveis excessos policiais, o sentimento popular é ambíguo. Muitos, apesar das críticas, afirmam entender a necessidade de ações firmes por parte da polícia frente à escalada da violência urbana, especialmente quando moradores de rua se envolvem em crimes graves.
Entre acusações e defesa, fica claro que a situação exige uma abordagem integrada e equilibrada, que conjugue segurança pública e políticas sociais eficientes. O que parece evidente é que, mesmo com questionamentos, o trabalho policial tem sido a barreira entre a ordem e o caos nas ruas catarinenses, especialmente diante de episódios que ameaçam diretamente a segurança da população.



























