Uma grande produção jornalística exibida em rede nacional no último domingo (30), provocou forte reação em Santa Catarina.
A matéria apresentou denúncias sobre ações de municípios catarinenses para afastar pessoas em situação de rua e tratou gestores de SC como responsáveis por práticas irregulares. O conteúdo, porém, foi criticado por moradores e autoridades locais por apresentar apenas um recorte do problema e ignorar episódios graves que também fazem parte da realidade das ruas.
Enquanto o programa nacional retratou pessoas em situação de rua como vítimas de um suposto processo de expulsão, citando cidades catarinenses como exemplo, o material deixou de fora casos de extrema violência praticados por dependentes químicos que chegam às capitais e municípios do estado. Um dos exemplos mais marcantes foi apagado da narrativa: o assassinato brutal de um adolescente de 17 anos, morto no Largo da Alfândega, em Florianópolis, em 2023.
O réu, Jonas Martins Vieira, morador de rua e usuário de drogas, foi condenado a 27 anos de prisão pelo crime. Trechos do interrogatório judicial mostram a rotina de violência, dependência química e criminalidade que não apareceu em nenhum momento na matéria exibida nacionalmente.
“Tava muito doido. Eu tirei a faca e dei uma nele. Eu tinha acabado de cheirar um pó, fumado uma pedra também”, relata o assassino.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público aponta que Jonas matou Thales com um golpe de faca no tórax, de forma repentina, após implicar com o grupo, fazer insinuações sexuais contra a amiga da vítima e esperar o momento em que o adolescente ficaria sozinho para atacá-lo.
O MP ainda destacou motivo fútil, surpresa absoluta e impossibilidade de defesa do jovem. Jonas admitiu já ter condenações por assalto e uso diário de drogas.
A narrativa nacional e o lado que ficou de fora
A matéria exibida em rede nacional focou em relatos de pessoas dizendo ter sido transportadas de uma cidade para outra ou abordadas por prefeituras. O programa destacou falas de quem afirma ter sido ameaçado por autoridades catarinenses, citando inclusive episódios em Balneário Camboriú.
Mostrou ainda que decisões judiciais proíbem remoções forçadas e reforçou o direito de locomoção pelo país. Apesar disso, ignorou completamente a discussão sobre o aumento da criminalidade associado ao consumo pesado de álcool e drogas nos centros urbanos, especialmente em regiões turísticas.
Nenhuma linha foi dedicada ao caso do adolescente, que mobilizou Florianópolis e gerou debate sobre a segurança do Centro da Capital. Nenhuma menção à violência que atinge famílias catarinenses e que faz parte da mesma realidade retratada pela produção nacional.
Santa Catarina segue discutindo como acolher, tratar, recuperar e reinserir pessoas em situação de rua. Mas também precisa debater, com a mesma honestidade, os impactos da dependência química, da violência e da insegurança trazidas pela chegada de grupos que vivem à margem da lei.
Quando uma grande reportagem nacional escolhe mostrar apenas um pedaço dessa história, o Estado vira alvo de críticas enquanto vítimas reais desaparecem do debate.
O povo catarinense merece respeito. E para que Santa Catarina continue sendo um dos estados mais seguros e organizados do Brasil, é preciso coragem para fazer o que precisa ser feito.




























