A escadaria da Carvoeira, em Florianópolis, termina num campo de futebol. Foi ali embaixo, no fim dos degraus, que a Polícia Militar encontrou um homem caído com diversas marcas de disparos de arma de fogo, cercado por estojos deflagrados espalhados pelo chão. Ele já estava morto quando a guarnição chegou, por volta das 5h20 deste domingo (23).
Os policiais do 4º Batalhão foram acionados pelo COPOM para atender uma ocorrência de encontro de cadáver nas proximidades do Mercado Goulart. Como a localização exata não estava definida, a equipe fez patrulhamento pelas imediações até localizar o corpo, ao final da escadaria e perto do campo.
Ao lado da vítima, os policiais encontraram vários estojos de munição deflagrados, o que indica que os disparos partiram do próprio local. Ninguém nas redondezas se apresentou para falar com a guarnição, e a PM não localizou testemunhas capazes de dizer o que havia acontecido.
Carro para ao lado da cena
A ocorrência mudou de patamar enquanto a guarnição fazia a segurança da cena do crime, à espera da perícia. Um veículo estacionou nas proximidades do isolamento e dois homens desembarcaram, ambos portando armas de fogo.
Conforme a Polícia Militar, os policiais fizeram a verbalização e deram ordem de parada à dupla, que não obedeceu. Segundo a corporação, os dois ainda ameaçaram atirar contra a equipe policial.
Diante da iminência de injusta agressão, a guarnição reagiu à ameaça. Mesmo assim, os suspeitos conseguiram fugir e não foram localizados nas buscas feitas na sequência.
Um dos suspeitos é monitorado por tornozeleira eletrônica e é conhecido pelo apelido de MC Perigo. Ou seja, cumpria medida judicial com restrição de circulação quando chegou armado ao lado de uma cena de homicídio isolada pela PM. A Polícia Civil não informou se a dupla tem relação com o assassinato.
Vítima tinha passagens por tráfico
O homem encontrado morto foi identificado pela Polícia Científica como Tiago Conceição de Jesus, de 32 anos, natural de Salvador, na Bahia. Ele tinha passagens como autor por tráfico de drogas, associação para o tráfico e receptação, além de registro no sistema prisional catarinense.
A quantidade de disparos e a presença dos estojos ao redor do corpo indicam uma execução, hipótese que a investigação ainda precisa confirmar. A polícia não descarta relação do crime com disputa por pontos de venda de drogas na região.
Depois da chegada dos dois homens armados, a Polícia Militar acionou pelo COPOM a equipe de local de crime da Polícia Civil e a Polícia Científica, responsáveis pela perícia, pela coleta do material balístico e pela remoção do corpo.
A Carvoeira fica na região central da Ilha, entre o campus da UFSC e o Saco dos Limões, e é uma das áreas de Florianópolis com histórico de disputa por pontos de venda de drogas nas comunidades do entorno.
A Polícia Civil segue na apuração da autoria e da motivação do homicídio. Os dois homens que chegaram armados ao local não haviam sido localizados até o fechamento desta reportagem, e a Polícia Militar mantém o patrulhamento reforçado na região.




























