A vereadora Janaina Guedes de Freitas, de 43 anos, de Videira (SC), conhecida na região por defender projetos de proteção às mulheres e por atuar publicamente como ativista contra a violência doméstica, foi autuada pela Polícia Civil por lesão corporal, violência doméstica, sequestro e cárcere privado contra sua companheira, V. Z., de 36 anos. O caso foi registrado na noite de terça-feira (18), quando a Polícia Militar e os Bombeiros foram acionados para atender a ocorrência de uma mulher que teria se jogado de um prédio.
Segundo consta no boletim de ocorrência, V. teria pulado do segundo andar do edifício onde o casal reside, após relatar que estava sendo impedida de sair e sofrendo agressões. Ela apresentava escoriações e foi encaminhada ao hospital com ferimentos provocados pela queda. Na delegacia, Janaina foi autuada em flagrante e liberada para responder em liberdade.
Versão da vítima
De acordo com o relato de V., ela e Janaina viviam juntas há cerca de dois anos. Na noite dos fatos, a discussão teria começado após uma mensagem de WhatsApp enviada por engano, que, segundo a vítima, despertou ciúmes na vereadora. V. afirma que Janaina passou a agredi-la com tapas, tentou enforcá-la e a empurrou contra a parede.
Ainda segundo a vítima, ela tentou fugir pulando pela sacada do apartamento, vindo a cair de uma altura de aproximadamente dois metros — informação posteriormente esclarecida por ela própria em nota pública. V. relatou também que, após a queda, teria sido impedida de sair do local e que só conseguiu ajuda ao pedir socorro ao filho de uma vizinha. A Polícia Militar foi acionada e a conduziu para atendimento médico.
Versão de Janaina
Janaina Guedes de Freitas afirmou à polícia que mantinha relacionamento com V. e que o episódio se tratou de uma discussão iniciada dentro do apartamento. De acordo com a vereadora, a companheira ficou exaltada após um desentendimento, rasgou a própria camisa e teria simulado uma tentativa de suicídio ao pular pela sacada. Janaina relatou que aguardou a chegada dos bombeiros e tentou auxiliar a parceira após a queda.
Autuação e liberação
A vereadora, filiada ao PDT e reconhecida na cidade por defender políticas públicas voltadas à proteção de mulheres vítimas de violência, foi liberada ainda na delegacia. Ela responderá ao processo em liberdade.
Nota de esclarecimento da vítima
Horas após o caso repercutir em redes sociais locais, V. publicou uma nota afirmando que não caiu de 15 metros, como divulgado inicialmente, mas que saiu pelo telhado e caiu de cerca de dois metros:
“Peço, por favor, que minha vida não seja mais exposta em grupos, comentários ou redes sociais. Este tipo de exposição não está fazendo bem nem para mim, nem para meus filhos.”
Investigação segue
A Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso de Videira segue com a investigação. A vítima manifestou interesse em representar formalmente contra a suspeita, e o caso tramita com base na Lei Maria da Penha. A Câmara de Vereadores de Videira ainda não se manifestou sobre a conduta da parlamentar.



























