Aprender também é uma forma de viver e compartilhar na Casa Ação Cultural, em Tijucas. Cerca de 100 idosos participam de oficinas de artesanato, costura, culinária, crochê e pintura, além de rodas de conversa e encontros de cozinha afetiva. Ninguém paga nada para participar.
Dona Marilda Machado Severino completou 80 anos no dia em que a equipe do Jornal Razão visitou a casa. Ela conta que passou por dois AVCs, sem sequelas, e que estava em casa, sentada no sofá. Foi a filha quem mandou o recado para a professora Marlene: “chama minha mãe, porque ela tá muito sozinha em casa”. Hoje, Marilda diz que o que mais a toca é ver gente nova se interessando pela idade dela. “Porque hoje o velho tá muito abandonado”, afirma.
Dhio Adelino, responsável pela Casa Ação Cultural, explica que muitos idosos chegam procurando a inscrição de uma oficina, mas encontram mais do que isso. “Elas encontram amizade, elas encontram pessoas da comunidade, elas começam a viver novamente”, diz. Segundo ele, a ideia é que a pessoa com 60 anos ou mais se sinta viva, e não triste dentro de casa.
A professora Marlene Fernandes de Azevedo, que também tem mais de 60 anos, conta que o trabalho é tirar os alunos de dentro de casa, da frente da TV e do celular, e ocupar o tempo deles com coisas úteis. Ela diz que as oficinas fazem um resgate da memória afetiva e que os professores aprendem mais do que ensinam.

Maria Lopes da Silva Cardoso, de 75 anos, frequenta a casa há três anos. “Eu não sabia nem pegar um pincel, hoje eu estou quase uma pintora famosa”, brinca. A professora aposentada Maria do Carmo, de 65, passava em frente ao prédio sem saber o que era. Um dia entrou, perguntou e ficou. Já fez cozinha, pintura e agora aprende crochê. “Não pagamos nada, mas ganhamos muito”, resume.
Na cozinha afetiva, a professora Tânia Maria Leal comanda os encontros uma vez por semana e ensina o que as alunas pedem, de doce a salgado. Miriam Luz conta que o grupo troca receitas, experiências e as novidades da cidade, e resgata receitas de vó, como coruja, bolinho de fubá e orelhinha de gato. “Deveria ter todos os dias, mas aí não dá, porque daí engorda muito”, diverte-se.
A casa também tem uma biblioteca, onde os participantes podem ler e levar livros para casa.
Como participar
Para se inscrever, basta ir até a Casa Ação Cultural, em Tijucas, e ver se há vaga nas oficinas. Como o espaço é limitado, existe fila de espera. Segundo Dhio, a casa faz rodízio e abre novas turmas, chamando quem está na fila.
“Nenhum ser humano deveria envelhecer sozinho, ele sempre deveria envelhecer em comunidade”, resume Dhio.
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