Itajaí vai passar a ter dados em tempo real sobre o nível do mar na costa da cidade. A Defesa Civil de Itajaí e a Univali instalaram na quinta-feira (8) um marégrafo no Cabeçudas Iate Clube, na Praia de Cabeçudas, e as informações começam a ser divulgadas nos próximos dias no site da Defesa Civil, no módulo “Monitoramento”, de graça para qualquer cidadão.
O aparelho emite um pulso de radar que mede a distância até a água e calcula o nível do mar. Com esses dados, é possível antecipar a maré alta e os alagamentos que ela provoca. “A partir dos dados coletados pelo marégrafo, é possível prever alagamentos ou outras situações no nível do mar cerca de 24 horas antes, com uma boa precisão”, afirma o oceanógrafo e professor da Univali Mauro Michelena, em nota publicada pela Prefeitura de Itajaí nesta quinta-feira (9).
A maré interfere no escoamento da água em Itajaí porque represa os rios que cortam a cidade, como o Itajaí-Açu, o Itajaí-Mirim e os ribeirões. O coordenador de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil, Marinho Stringari, explica que o marégrafo será integrado ao sistema de telemetria, que já mede o nível dos rios. “O novo site da Defesa Civil vai disponibilizar à população as informações em tempo real, assim como o nível dos rios, para que as pessoas possam saber quais ruas podem ser alagadas já próximo da sua casa”, diz.
Segundo Stringari, os dados do marégrafo serão cruzados com a tábua de marés, com a maré meteorológica e com fatores como mar agitado e ressaca, que podem influenciar o nível do Itajaí-Açu. “Essa tecnologia pode ajudar a Defesa Civil na tomada de decisões”, afirma.

O marégrafo ficou cerca de um ano fora de operação por danos na estrutura. O conserto e a troca do sensor foram viabilizados pela parceria com o Município. Pesquisadores da Univali atuam no equipamento desde 2018 e seguem com a análise dos dados, agora junto com a Defesa Civil. A empresa Qualle Control é responsável pela instalação e pela integração ao sistema de telemetria.
A instalação é mais uma ação de Itajaí para se preparar para o El Niño. A Prefeitura leva em conta o histórico da cidade: 1.245 ruas foram afetadas na enchente de 2008 e 500 na de 2011. As principais áreas de risco são Cidade Nova, Murta, a parte baixa de Cordeiros, Imaruí e Portal II.
Entre as outras medidas em andamento estão a ampliação da telemetria para dois novos pontos no Itajaí-Mirim, nos bairros Limoeiro e Volta de Cima, novos equipamentos de meteorologia, o quadro “Radar El Niño” publicado toda sexta-feira nos canais da Prefeitura, a limpeza de mais de 70% das valas e ribeirões da zona rural, testes de bombeamento em pontos de difícil drenagem, obras de macrodrenagem, a dragagem do canal do Itajaí-Açu pelo Porto de Itajaí, a vistoria de abrigos e um novo sistema de mapeamento de alagamento de ruas com base no nível dos rios, ainda em desenvolvimento.
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