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Depois do Bradesco, o Itaú também sobe os juros da casa própria e a taxa passa do limite que libera o FGTS

Taxa mínima do banco passou de 11,99% para 12,95% ao ano; juntos, Itaú e Bradesco fizeram 41,4% do crédito imobiliário com dinheiro da poupança em 2026

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Depois do Bradesco, o Itaú também sobe os juros da casa própria e a taxa passa do limite que libera o FGTS
Foto: Reprodução
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Três dias depois do Bradesco, o Itaú também subiu os juros do financiamento da casa própria. Desde esta quinta-feira (29), a taxa mínima do banco é de 12,95% ao ano, mais TR. Pelo radar de taxas da MySide, que acompanha todo mês os juros dos principais bancos, o Itaú cobrava a partir de 11,99%. A menor taxa, de 12,89%, ficou restrita ao segmento Private.

Em nota, o Itaú atribuiu o reajuste às “recentes oscilações nas curvas de juros futuros”, que subiram depois do segundo turno da eleição. Segundo o banco, como o financiamento imobiliário depende de recursos captados no mercado, o ajuste busca “refletir as condições atuais de captação e preservar a sustentabilidade das operações”. O Itaú afirma ainda que as taxas variam conforme o perfil e o relacionamento de cada cliente.

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Pelas contas do Jornal Razão, num financiamento de R$ 300 mil em 30 anos pela tabela SAC, a primeira parcela no Itaú passa de R$ 3.677,72 para R$ 3.893,21, sem contar TR, seguro e tarifas. São R$ 215 a mais por mês, uma alta de quase 6%.

Bradesco subiu 3,3 pontos de uma vez

O reajuste do Itaú é bem menor que o do concorrente. Na segunda-feira (26), menos de 24 horas depois da reeleição de Lula (PT), o Bradesco subiu a taxa mínima da maioria dos clientes de 11,69% para 15% ao ano, mais TR. O piso de 13,6% ficou só para o segmento Private. No mesmo financiamento de R$ 300 mil, a primeira parcela no Bradesco ficou cerca de 20% mais cara.

Em nota, o Bradesco informou que atualizou as taxas “em função do aumento verificado nas taxas de juros do mercado” e que as condições finais são negociadas com cada cliente. Com 12,95%, o Itaú fica abaixo da Selic, hoje em 13,75% ao ano. Os 15% do Bradesco ficam acima dos juros básicos da economia.

Agência do Bradesco, que subiu a taxa mínima para 15% ao ano na segunda-feira (26)

Acima do limite que libera o FGTS

As novas taxas dos dois bancos passam do teto de 12% ao ano do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Acima desse limite, o financiamento sai das regras do sistema e vai para o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), em que as taxas são negociadas livremente.

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A diferença pesa no bolso de quem compra. O enquadramento no SFH é condição para usar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na compra do imóvel ou para amortizar as prestações.

O Minha Casa, Minha Vida, operado quase todo pela Caixa e com juros subsidiados, fica de fora dos reajustes. A alta atinge as linhas com dinheiro da poupança, usadas principalmente na compra de imóveis de médio e alto padrão.

Poupança encolhe e o crédito fica mais caro

A caderneta de poupança, fonte tradicional e mais barata do crédito habitacional, vem perdendo espaço. Pelos dados do Banco Central, ela respondia por 34% do dinheiro do setor em dezembro de 2023 e caiu para 29% em dezembro de 2025. Sem a poupança, os bancos recorrem a papéis como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), cujo custo acompanha de perto os juros futuros.

De janeiro a agosto, os bancos emprestaram R$ 132,5 bilhões em crédito imobiliário com recursos da poupança, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O Itaú respondeu por 25,2% desse total, e o Bradesco, por 16,2%. Juntos, os dois somaram R$ 54,9 bilhões, ou 41,4%. À frente deles está só a Caixa, com 48,6%.

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Para a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), “o aumento das taxas de financiamento reduz o poder de compra das famílias e dificulta o acesso à casa própria”. Pelas contas da entidade, cada ponto percentual a mais na taxa deixa cerca de 1,3 milhão de famílias fora do mercado imobiliário.

Quem pode ser o próximo

O Santander, quarto maior financiador com dinheiro da poupança, informou que não mudou as taxas por enquanto e que acompanha os indicadores econômicos e os possíveis impactos do cenário sobre os juros. Caixa e Banco do Brasil estão em período de silêncio por causa da divulgação de resultados e não comentaram.

O Itaú divulga o balanço do terceiro trimestre em 3 de novembro, mesmo dia em que começa a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A decisão sobre a Selic sai no dia 4.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/economia/itau-sobe-juros-casa-propria-depois-bradesco-fgts

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