Menos de 24 horas depois da vitória de Lula (PT) no segundo turno, o Bradesco subiu os juros do financiamento imobiliário. Na noite desta segunda-feira (26), o simulador de crédito imobiliário do site do banco passou a calcular os financiamentos residenciais com juros efetivos de 16,5% ao ano, mais TR. Em setembro, segundo o Banco Central, a taxa média cobrada pelo Bradesco nessa modalidade foi de 11,77% ao ano no Sistema Financeiro da Habitação e de 12,24% ao ano nas taxas de mercado.
O Jornal Razão simulou no site do banco um financiamento de R$ 300 mil em 30 anos, para um imóvel residencial de R$ 500 mil. Pela tabela SAC, a primeira parcela ficou em R$ 4.675,76, ou R$ 4.757,53 com seguro e tarifa. O custo efetivo total chegou a 17,21% ao ano, e o banco passou a exigir renda líquida mínima de R$ 15.858 para esse financiamento. O próprio site informa que o simulador usa a taxa mais alta do crédito imobiliário do Bradesco.

Com a taxa média que o banco cobrou em setembro, a primeira parcela do mesmo financiamento seria de cerca de R$ 3.628, pelas contas do Jornal Razão. São mais de R$ 1 mil a mais por mês.
Nova tabela tem alta de até 4,51 pontos
A nova tabela circulou nas redes a partir das 17h35 desta segunda, divulgada pelo planejador financeiro Renato Breia. Nela, a linha Principal do banco passou para TR + 15% ao ano, com alta de 3,3 pontos percentuais. Num financiamento de R$ 300 mil em 30 anos pela tabela SAC, isso deixa a primeira parcela cerca de 20% mais cara. A linha Private foi para TR + 13,60% (alta de 2,15 pontos), o imóvel comercial e a aquisição por empresas, para TR + 16,50% (alta de 2,51 pontos), e o lote urbano, para TR + 18,50% (alta de 4,51 pontos).
Dezessete minutos depois, o economista Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central, escreveu no X: “E assim a recessão começa”.
Dia de pânico no mercado
A alta veio no fim de um dia de pânico no mercado financeiro. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, a maior perda em um dia desde março de 2020, no início da pandemia, segundo o InfoMoney. Às 9h57, a queda chegou a 10% e a B3 acionou o circuit breaker, que suspendeu as negociações por 30 minutos. No pior momento, o índice caiu 17,34%.
O dólar subiu mais de 8% e fechou acima de R$ 5,40. Na sexta-feira, a moeda estava perto de R$ 4,98.
Os juros futuros, que servem de referência para o crédito de longo prazo, como o imobiliário, subiram cerca de 2,6 pontos percentuais e passaram de 15% ao ano nos contratos de 2029 em diante, ainda segundo o InfoMoney. É a alta desses juros que encarece o dinheiro que os bancos emprestam por décadas.
Bancos e construtoras despencam
As ações dos bancos lideraram as perdas. O Banco do Brasil caiu 29,33%, o Bradesco, 21,70%, o Itaú, 13,66%, e o Santander, 4,47%. As construtoras de imóveis também desabaram: a MRV chegou a perder 45% no dia, e a Cyrela, mais de 40%. O índice do setor imobiliário fechou em queda de 28,63%.
“Vai ser um dia difícil. O mercado vai reavaliar tudo”, disse pela manhã Bruno Funchal, presidente da Bradesco Asset Management, ao InfoMoney. Para Gabriel Magno, sócio da AW Capital, ouvido pela CNN Brasil, “os investidores globais cortam suas expectativas para mais 4 anos do mesmo perfil de governo”.
No meio da instabilidade, o Tesouro Nacional fez nesta segunda três operações de recompra de títulos públicos, que somaram R$ 7,1 bilhões, segundo o InfoMoney.
Lula foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL).
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