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UFSC vai usar moradores de rua para limpar pichações no campus em Florianópolis: “acabou a farra”

Acordo com CDL Florianópolis, ACIF e Conseg Centro coloca o projeto Aliança por Floripa, que contrata pessoas em situação de rua, para apagar pichações, capinar e repintar o Campus Trindade. Primeiras intervenções começam pelo entorno da Reitoria.

UFSC vai usar moradores de rua para limpar pichações no campus em Florianópolis: “acabou a farra”
Foto: Reprodução
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Muro de reboco caindo coberto de pichação. Calçada de petit pavê engolida pelo mato. Banco de concreto apodrecendo debaixo da árvore. Sinalização de pedestre apagada no chão. É esse o cenário que a Universidade Federal de Santa Catarina resolveu entregar para outra gente arrumar, no Campus Trindade, em Florianópolis.

A UFSC firmou parceria com a Aliança por Floripa, movimento formado pela CDL Florianópolis, pela ACIF e pelo Conseg Centro, com apoio da prefeitura, para executar uma série de ações de zeladoria e recuperação no campus. Quem vai colocar a mão na massa é a equipe do projeto, formada por pessoas que estavam em situação de rua e foram contratadas para trabalhos de limpeza e manutenção urbana.

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A assinatura do acordo estava marcada para esta quarta-feira (19), e os primeiros serviços devem começar até sexta-feira (21), conforme informações divulgadas sobre a articulação.

O que vai ser feito

O pacote é de zeladoria básica. Estão previstas limpeza e capina de petit pavê e meio-fios, organização e sinalização de estacionamentos, pintura de vagas exclusivas para pessoas com deficiência, recuperação de bancos, pintura de faixas de pedestres e plantio em canteiros. Segundo relatos sobre o acordo, entram também a remoção de pichações, a troca de lâmpadas queimadas e a repintura de prédios.

Os locais já mapeados para receber as intervenções são o entorno da Reitoria, a Praça da Cidadania, o Centro de Comunicação e Expressão, os acessos e o entorno do Restaurante Universitário e as principais rotas de circulação do Campus Trindade. A universidade também faz o levantamento dos materiais e equipamentos necessários, e a própria equipe de manutenção da UFSC vai orientar tecnicamente os trabalhos.

O campus hoje

Quem vai passar a vassoura

A Aliança por Floripa foi lançada em outubro de 2025 e funciona como um fundo bancado pela iniciativa privada e por doações de pessoas físicas. O dinheiro paga contratos formais de zeladoria para quem estava morando nas ruas do Centro da Capital. A triagem é feita na Passarela da Cidadania, por meio do projeto Rumo Certo, e a rotina prevê quatro dias de trabalho por semana, com o quinto reservado a apoio psicológico e atividades assistenciais.

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Desde então, as equipes já atuaram em espaços públicos como o prédio dos Correios na Praça XV, o Terminal Cidade de Florianópolis, o entorno da Alfândega, o Miramar, o albergue municipal e a antiga Rodoviária, onde fizeram mutirão de remoção de pichações a pedido da prefeitura. Até março, 17 pessoas haviam saído das ruas para as frentes de trabalho do projeto.

“A UFSC não tem ideologia”

O reitor Amir de Oliveira teria afirmado que “a UFSC não tem ideologia”, ao defender uma aproximação maior da universidade com a sociedade. A frase resume a mudança de postura de uma gestão que assumiu recentemente e já vinha tentando destravar a manutenção do campus por fora do orçamento federal.

No dia 7 de agosto, a nova reitoria promoveu uma ação de limpeza nos espaços externos da Trindade com equipamentos cedidos pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina. O mutirão passou pela Praça da Cidadania, pelo Centro de Cultura e Eventos, pelo Restaurante Universitário e pelo Centro Tecnológico, atendendo a uma cobrança antiga da comunidade acadêmica.

O tamanho do problema

O campus da Trindade ocupa área superior a 1 milhão de metros quadrados e é a sede da UFSC desde 1960. Só em Florianópolis, são mais de 411 mil metros quadrados de área construída, e a universidade recebe cerca de 33 mil estudantes neste semestre, conforme dados apresentados pela ACIF.

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Estamos falando de uma instituição que recebe cerca de 33 mil estudantes neste semestre e que, somente no campus de Florianópolis, possui mais de 411 mil metros quadrados de área construída. Quando diferentes setores trabalham de forma integrada, conseguimos transformar articulação em melhorias concretas, qualificando um espaço que faz parte da rotina de milhares de pessoas e da própria dinâmica da cidade

A fala é de Célio Bernardi, presidente da ACIF. Para o presidente da CDL Florianópolis, Eduardo Koerich, o acordo mostra que cuidar da cidade é responsabilidade dividida, e não obrigação exclusiva do poder público.

Florianópolis é uma cidade construída a partir da participação das pessoas e da capacidade de diferentes instituições trabalharem juntas. Quando entidades empresariais, universidade, comunidade e poder público unem esforços em torno de um objetivo comum, conseguimos gerar resultados que beneficiam toda a sociedade

Koerich afirma ainda que a intenção não é fazer uma ação pontual, mas estimular o que chama de cultura de pertencimento e participação. Segundo ele, a Aliança tem condições de mobilizar pessoas, empresas e instituições em torno de iniciativas com impacto concreto.

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A formalização da parceria deve sair até a próxima semana. As primeiras intervenções ficam no entorno da Reitoria, uma das áreas de maior circulação do Campus Trindade, e devem abrir uma agenda contínua de zeladoria dentro da universidade.

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