Foi o melhor resultado em duas décadas e veio no cenário mais difícil possível, com 218 escolas a mais entrando na conta. A rede estadual de Santa Catarina cresceu em todas as etapas da educação básica no Ideb de 2025, divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação, e ficou entre as três melhores redes estaduais do país em duas delas.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, a nota subiu de 6,4 para 6,7 e garantiu a terceira colocação nacional. Nos anos finais, o índice passou de 5,2 para 5,4, também em terceiro lugar, empatado com São Paulo. No ensino médio, a etapa que concentra os maiores gargalos do sistema brasileiro, a nota saiu de 4,2 para 4,5, o que colocou o estado na sétima posição.
O Ideb resume em um número só, numa escala de 0 a 10, duas coisas que costumam andar separadas: o quanto o estudante aprendeu em língua portuguesa e matemática e o quanto a escola consegue segurar esse aluno até o fim da etapa, sem reprovação nem abandono. Subir no índice significa, na prática, melhorar nas duas frentes ao mesmo tempo.

Mais escolas na conta
O avanço veio acompanhado de uma mudança que normalmente puxa média para baixo. O total de escolas estaduais avaliadas saltou de 703 para 921 unidades, alta de 31%, o equivalente a 87% de todas as escolas elegíveis da rede.
Quanto maior a amostra, maior a chance de entrarem no cálculo unidades com desempenho mais frágil, que antes ficavam de fora. Aconteceu o oposto: mesmo com quase um terço a mais de escolas medidas, a média estadual subiu nas três etapas, sinal de que o resultado não se sustenta num grupo pequeno de unidades de alto desempenho.
O que mudou desde 2023
Segundo a Secretaria de Estado da Educação, a melhora é reflexo de ações pedagógicas e estruturantes intensificadas a partir de 2023. Entre elas estão a criação do Sistema de Avaliação da Educação Básica Catarinense (SEAESC), a aplicação periódica de avaliações diagnósticas e simulados e o lançamento do Programa de Fortalecimento da Aprendizagem.
A pasta cita ainda investimentos em infraestrutura, climatização de salas e modernização tecnológica, além de formação continuada dos profissionais da rede. Santa Catarina se tornou o primeiro estado do país a ter ar-condicionado em 100% das salas de aula da rede estadual.
Os resultados da rede estadual mostram que estamos no caminho certo. Avançamos em todas as etapas do Ideb, inclusive no ensino médio, que concentra alguns dos maiores desafios da educação brasileira. Esse crescimento é fruto de um trabalho contínuo de acompanhamento da aprendizagem e investimentos
A declaração é da secretária de Estado da Educação, Luciane Bisognin Ceretta.
O peso do ensino médio
A alta de 4,2 para 4,5 no ensino médio é o dado que a Secretaria destaca como o mais difícil de conquistar. É a etapa em que o Brasil mais perde estudantes pelo caminho, seja por reprovação, seja por abandono, e onde qualquer variação na taxa de aprovação mexe diretamente no índice final.
Para segurar a trajetória nos próximos levantamentos, o governo estadual ampliou a oferta de ensino fundamental em tempo integral de 17 para mais de 500 escolas em 2026. O estado também avança na implantação progressiva do ensino técnico integrado ao ensino médio e na intensificação dos programas de reforço escolar voltados a estudantes com defasagem de aprendizagem.
O efeito dessas medidas só vai aparecer no próximo levantamento do Ideb, quando o desempenho da rede será medido de novo com a amostra ampliada.


























